Supremo autoriza inquérito para investigar doações a senadores do MDB

Com isso, os senadores Renan Calheiros, Jader Barbalho (PA), Romero Jucá (RR), Eunício Oliveira (CE), Eduardo Braga (AM), Edison Lobão (MA), Valdir Raupp (RO) e Roberto Requião (RR), além do ex-senador Vital do Rêgo, ministro do Tribunal de Contas da União, passam a ser investigados por supostamente, terem se beneficiado com o repasse.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin pediu, ontem (15), abertura de inquérito para apurar repasses de R$ 40 milhões da J&F a políticos da cúpula do MDB. O pedido de Fachin foi registrado no sistema do STF nesta quarta-feira (16).

A instauração da investigação atende a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) feito com base em duas delações premiadas: a do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado e a do ex-diretor da J&F Ricardo Saud.

Leia a notícia na íntegra no site do G1.

"Com relação à abertura das investigações, como sabido, uma vez requerida a abertura de investigações pela Procuradoria-Geral da República, incumbe ao relator deferi-la, não lhe competindo qualquer aprofundamento sobre o mérito das suspeitas apontadas, exceto se, a toda evidência, revelarem-se inteiramente infundadas", decidiu Fachin.

Em um dos depoimentos, Machado disse que "nas reuniões ocorridas na residência de Renan Calheiros, que o grupo JBS iria fazer doações ao PMDB, a pedido do PT, na ordem de R$ 40 milhões".

Entretanto, Saud afirmou que o valor destinado ao MDB serviu também como "repasses não contabilizados a diversos políticos, sob o pretexto de doação eleitoral".

Saud corroborou as declarações de Machado e disse ainda que parte da propina era direcionada a Eunício "como contraprestação à atuação favorável aos interesses do Grupo J&F no processo de aprovação de medidas provisórias".

Ainda conforme Saud, várias doações foram realizadas de forma oficial, mas "tratava-se de vantagem indevida, uma vez que dirigentes do PT estariam comprando o apoio de peemedebistas para as eleições de 2014 como forma de assegurar a aliança entre os partidos".

O ministro determinou ainda que o inquérito seja enviado à Polícia Federal, que terá 60 dias para realizar coleta de provas.

Em um trecho de seu despacho, Fachin destacou que "há razão suficiente para, neste momento, reconhecer que os fatos ocorridos denotam especial interligação nas condutas atribuídas a parlamentares federais e aos demais envolvidos, a recomendar a persecução abrangente dos fatos narrados e evitar decisões contraditórias".

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