PF investiga doleiros que auxiliavam megatraficante preso em MT

Operação nacional da Polícia Federal contra o tráfico internacional de drogas prendeu duas pessoas em Mato Grosso do Sul nesta terça-feira (15).

Hoje, cerca de 90 policiais federais cumpriram 26 ordens judiciais, sendo cinco mandados de prisão preventiva, três de prisão temporária e 18 de busca e apreensão.

Carlos Alexandre Souza Rocha, o Ceará, já havia firmado um acordo de colaboração premiada no âmbito da Lava Jato. Ele é acusado de ser um dos grandes narcotraficantes na América do Sul e teria conexões com dezenas de países, inclusive na Europa, de acordo com as investigações.

Conforme apurado pelo Campo Grande News, Pedro Araujo Mendes Lima é proprietário de uma empresa de vendas de máquinas agrícolas, que tem como valor de capital R$ 80 mil, em Guarantã do Norte, a 745 km de Cuiabá.

A partir das investigações, tornou-se evidente a atuação direta e indireta de dois operadores financeiros, já conhecidos de operações anteriores da Polícia Federal.

"Pessoas no Brasil precisavam de reais para utilizar na corrupção política e tinham dólares no exterior". Ele é apontado pela PF como o maior traficante de drogas do Brasil e um dos maiores do mundo. "Estes doleiros aproveitavam o fato de estarem exercendo uma atividade legal para lavar o dinheiro do tráfico", explicou o delegado. Ele teria movimentado R$ 500 milhões entre 2014 e 2017, apenas com o dinheiro do tráfico.

Em entrevista coletiva nesta manhã em Curitiba (PR), os delegados que comandam a operação afirmaram que pai e filho formam um dos dois núcleos de lavagem para legalizar o dinheiro que "Cabeça Branca" obtém da venda de cocaína para as facções criminosas brasileiras. "A Procuradoria Geral da República e o Supremo Tribunal Federal serão comunicados sobre a prisão do réu colaborador para avaliação quanto à "quebra" do acordo firmado", diz a nota da PF.

Como delator da Lava Jato, Ceará mencionou os políticos Fernando Collor de Mello, Aécio Neves, Renan Calheiros e Randolfe Rodrigues.

De acordo com a PF, o investigado deixou o trabalho espontaneamente em setembro.

Biasoli disse que a prisão de Ceará será comunicada ao juiz da 13ª Vara da Justiça Federal do Paraná, Sergio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato na primeira instância, à PGR e ao STF.

Os presos serão levados para a Superintendência da Polícia Federal em Curitiba.

Esta fase da operação tem como intuito reunir informações complementares sobre a prática de crimes de lavagem de dinheiro contra o Sistema Financeiro Nacional.

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