PF diz que caixa 2 financiou reforma do sítio de Atibaia

De acordo com o laudo, foram identificados dois pagamentos de R$ 300 mil e R$ 400 mil que totalizam os R$ 700 mil usados em Atibaia.

O documento também corrobora com a versão dada em 2017 pelo engenheiro Emyr Diniz Costa Júnior que, em delação, disse ter recebido R$ 700 mil para custear compra de materiais e serviços relacionados a obra por meio do departamento de propina da empreiteira.

Lula é acusado pelo MPF (Ministério Público Federal) por receber propina por meio das reformas no sítio, feitas pelas empreiteiras Odebrecht, OAS e pelo pecuarista e amigo do ex-presidente, José Carlos Bumlai.

No entanto, de acordo com peritos, não há no sistema alguma referência que o dinheiro foi redirecionado à obra do sítio em Atibaia. Os peritos reforçam, no entanto, que não há nada que comprove que o dinheiro foi mesmo direcionado para as obras do sítio.

"Em última análise, a origem primária dos pagamentos efetuados pelo SOE [Setor de Operações Estruturadas] seriam todas as obras que, por meio de contratos fictícios ou superfaturados, tiveram seus recursos desviados para formar o caixa único", conclui o documento.

Só um problema: a mesma PF diz não ter achado nenhuma menção aos termos "sítio", "Atibaia" ou mesmo "Santa Bárbara".

De acordo com informações da UOL, um laudo produzido pela Polícia Federal (PF) nesta quarta-feira (16/5) mostra que o dinheiro destinado para custeio das obras no Sítio de Atibaia, atribuído ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, saiu do caixa 2 da empreiteira Odebrecht e que foi abastecido com dinheiro do projeto da Aquapolo (maior projeto de reuso de água do hemisfério sul), de obras da Petrobras, de outros órgãos públicos do Brasil e contratos no exterior.

Os advogados também afirmam que busca-se criar um "caixa geral com recursos da Petrobras com base em retórica como antídoto à prova da defesa". Os advogados também disseram que a "a acusação se reportou a 7 contratos específicos da Petrobras, nenhum deles analisado pelo laudo pericial". A defesa afirma que os valores são compatíveis com as notas fiscais já apresentadas pelo MPF à Justiça, como provas da suposta propina ao ex-presidente Lula.

Para a defesa, "o laudo pericial, nessa perspectiva, buscou criar uma nova fórmula em branco para a escolha da jurisdição de acordo com a conveniência dos agentes envolvidos, o que colide com a garantia constitucional do juiz natural (CF/88, art. 5º, LIII) e por isso é inaceitável". Tanto o juiz quanto os procuradores da Lava Jato não se manifestaram sobre a validade da provas.

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