Brasil vai pedir acesso a documentos da CIA sobre regime militar

Ivo Herzog, filho do jornalista Vladimir Herzog, escreveu uma carta endereçada ao Ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, solicitando uma intervenção junto ao governo norte-americano para que o seja revelado o restante dos documentos da CIA (Central de Inteligência Americana) sobre o assunto.

A revelação, segundo José Carlos Dias, desfaz a ideia em torno do perfil de Geisel, que comandou um lento processo de abertura política do regime militar.

O advogado criminalista e ex-presidente da Comissão Nacional da Verdade (CNV), José Carlos Dias, comentou nesta sexta-feira (11) a revelação de um documento confidencial da CIA (Serviço de Inteligência dos Estados Unidos) que mostra que o ex-presidente Ernesto Geisel (1974-1979) autorizou a execução sumária de militantes opositores do regime militar do Brasil, que vigorou entre 1964 e 1985. A causa oficial da morte dele, no primeiro momento, foi suicídio por enforcamento.

Entre as vítimas desse período, estão o jornalista Vladimir Herzog, assassinado em 25 de outubro de 1975 após se apresentar voluntariamente ao Centro de Operações de Defesa Interna, um órgão militar da ditadura; e o metalúrgico Manoel Fiel Filho, que foi torturado até a morte, em 17 de janeiro de 1976, nas dependências do Destacamento de Operações de Informações (DOI) do II Exército, em São Paulo. Além deles, os generais Milton Tavares de Souza, comandante do Centro de Inteligência do Exército (CIE), e Confúcio Avelino, que assumiu o CIE em seguida, também sabiam das execuções.

Datado de 11 de abril de 1974, o documento, assinado pelo então diretor da CIA, Willian Colby, e endereçado ao então secretário de Estado dos EUA, Henry Kissinger, diz que Geisel foi informado, logo após assumir a Presidência da morte de 104 pessoas opositoras da ditadura no ano anterior. Geisel teria feito a ressalva de que os assassinatos só ocorressem em "casos excepcionais" e envolvendo "subversivos perigosos".

Há mais de quatro décadas, familiares de mortos e desaparecidos políticos durante a ditadura brasileira vêm trazendo a público a narrativa deste período terrível, apesar de todas as dificuldades que o Estado brasileiro coloca frente à busca da verdade e da justiça.

Segundo Ivo, os novos registros da CIA revelam novos fatos sobre a participação do Estado na execução e tortura de opositores aos militares. "Uma nação precisa conhecer sua história oficialmente para ter políticas públicas que previnam que os erros do passado se repitam", conclui.

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