Ambiente dá luz verde ao furo de prospeção de petróleo em Aljezur

A decisão da APA foi anunciada hoje em conferência de imprensa, na sede da Agência, no último dia do prazo previsto.

"Está a dar o pior sinal possível", afirmou Francisco Ferreira, frisando que há "argumentos técnicos que levantavam dúvidas suficientes para haver avaliação de impacto ambiental". Segundo o presidente da APA, Nuno Lacasta, o projeto não é susceptível de causar impactes negativos significativos, por isso não carece de AIA.

De acordo com elementos remetidos à APA pela ENI, o furo a realizar no mar, a 46 quilómetros de Aljezur, para avaliar as potencialidades do leito submarino, terá uma profundidade de cerca de 1.070 metros de profundidade. A operação decorrerá durante quatro dias.

Em janeiro, o Governo deu 'luz verde' à prorrogação, por um ano, do período inicial de prospeção e pesquisa de petróleo na bacia do Alentejo, por considerar que o atraso na operação não é da responsabilidade do consórcio.

ASSOCIAÇÃO AMBIENTALISTA CRITICA PROSPECÇÃO EM ALJEZUR
LPN lamenta «farsa» na consulta pública do projeto sondagem de Pesquisa Santola 1X

A prospeção e exploração de hidrocarbonetos têm sido contestadas por associações ambientalistas e de defesa do património, pela Comunidade Intermunicipal do Algarve, por cidadãos individuais, entidades empresariais e movimentos de cidadãos criados contra esta atividade, tendo já levado à apresentação de várias providências cautelares contra os contratos assinados pelo Estado e consórcios privados.

Uma controvérsia que deverá acentuar-se com esta aprovação de exploração petrolífera ao largo de Alzejur, em plena costa vicentina.

O consórcio liderado pela petrolífera italiana ENI prevê iniciar a pesquisa de petróleo na bacia do Alentejo, região sul de Portugal, entre setembro e outubro, após uma preparação com uma duração estimada de três meses, segundo relatório enviado à Agência Portuguesa do Ambiente.

"A eventual descoberta de hidrocarbonetos exigirá estudos adicionais e a elaboração de planos de desenvolvimento ou produção, bem como de estudos e avaliações ambientais adicionais", acrescenta. "Dos 900 megawatts de energia eólica e solar licenciados nos últimos dois anos e meio pelo Governo metade serão produzidos no Algarve Apesar deste enorme potencial energético o Algarve só representa ainda 3 por cento do total de energia renovável produzida em Portugal o que demonstra a enorme capacidade que a região tem por explorar e a enorme margem de boas energias que pode dar ao país", lê-se na nota.

Edition: