Aloysio Nunes critica ex-chefes de Estado que pediram Lula livre

O ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, alertou hoje (16), sobre a inoportunidade do apoio de seis líderes políticos europeus à candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado a 12 anos e um mês de prisão pelos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção passiva.

Veja a íntegra da nota emitida pelo Itamaraty.

Em nota, Aloysio diz ainda sobre os líderes que "tendo perdido audiência em casa, arrogam-se o direito de dar lições sobre o funcionamento do sistema judiciário brasileiro".

Por fim, o ministro questiona. "Mais do que escamotear a verdade, cometem um gesto preconceituoso, arrogante e anacrônico contra a sociedade brasileira e seu compromisso com a lei e as instituições democráticas".

Extrair uma declaração de Obama não será tarefa fácil para o PT. O próprio Lula, em conversa recente com o ex-presidente do Equador Rafael Correa, contou que se deu melhor com o republicano George W. Bush, presidente dos Estados Unidos entre 2001 e 2009, do que com o democrata Obama que o sucedeu até 2017. O tucano criticou a iniciativa e disse que, com o movimento, o grupo prega "a violação do Estado de direito".

De acordo com a legislação brasileira, sua condição de condenado em segunda instância deve excluí-lo da disputa, embora seus partidários afirmem que esgotarão todos os recursos disponíveis para que ele possa ser candidato.

Ontem, ex-chefes da Europa, entre eles o francês François Hollande e o espanhol José Luis Rodríguez Zapatero, ambos ligados a partidos socialistas, pediram que o petista, que está preso desde abril, pudesse participar da corrida presidencial.

O documento foi assinado por seis pessoas, entre elas os ex-presidentes da França François Hollande e da Espanha José Luis Rodrigues Zapatero, além do ex-primeiro ministro da Bélgica Ellio Di Rupo e os ex-presidentes do Conselho de Ministros da Itália Massimo D'Alema, Enrico Letta e Romano Prodi.

No manifesto, o líderes europeus ressaltam que "a luta legítima e necessária contra a corrupção não pode justificar uma operação que questiona os princípios da democracia e o direito dos povos a escolher seus governantes", além de considerarem precipitada a prisão de Lula e de manifestarem preocupação com o processo de impeachment da presidente deposta Dilma Rousseff.

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