PF prende delator da Lava-Jato em ação contra lavagem de dinheiro

A Polícia Federal desarticulou nesta terça-feira (15) um grupo de doleiros que lavavam dinheiro utilizado pelo tráfico internacional de drogas a mando de Luiz Carlos da Rocha, conhecido como Cabeça Branca, apontado como um dos maiores narcotraficantes da América Latina, segundo a polícia. O outro empresário, alvo da operação, foi preso em João Pessoa, Paraíba, enquanto viajava a negócios naquela cidade.

O delegado da Polícia Federal responsável pela Operação Efeito Dominó, Roberto Biasoli, afirmou que dinheiro do narcotráfico teria sido entregue a políticos e agentes públicos corruptos investigados pela Operação Lava Jato. Esse esquema era comandado por Luiz Carlos da Rocha, mais conhecido como Cabeça Branco.

A denominação Efeito Dominó é uma alusão ao fato de existir um efeito em cascata no tráfico internacional de entorpecentes pois, por se tratar de crime que visa lucro, os recursos ilícitos amealhado, especialmente no vultoso volume identificado nesta operação, necessitam de forte estrutura de lavagem de dinheiro, consistentes na movimentação de recursos em espécie no país com a intervenção de operadores financeiros ("doleiros"). A ação da Polícia Federal também resultou na prisão de um doleiro que já era investigado pela Lava Jato. O termo foi homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

A PF informou, num comunicado, que vai informar o Ministério Público e o Supremo Tribunal Federal do Brasil sobre a prisão do colaborador para avaliar uma possível "quebra" no acordo firmado.

Os presos serão levados para a Superintendência da Polícia Federal em Curitiba. No mês seguinte, em 22 de abril de 2014, o Ministério Público Federal do Paraná apresentou denúncia contra Ceará por apenas um crime: operar, sem a devida autorização, instituição financeira de câmbio, com pena prevista de um a quatro anos de reclusão.

O delator também mencionou, em depoimento, que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) recebeu R$ 300 mil a mando de Youssef.

- O Ceará é um profissional que atua na lavagem de dinheiro. Um dos presos é Carlos Alexandre, o "Ceará", que havia firmado delação premiada na Lava-Jato com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e que agora deverá ter seu acordo revogado.

Com base nesses esclarecimentos, a procuradora Ela Wiecko, que em novembro de 2015 exercia o cargo de Procuradora-Geral da República, no lugar de Rodrigo Janot, pediu ao STF o arquivamento da Petição n° 5.819, esclarecendo: "Não se vislumbram elementos mínimos que possam fundamentar uma instauração de inquérito" em relação ao senador Randolfe Rodrigues.

Edition: