Globo recebe notificação por falta de negros em novela

Na semana passada, o Ministério Público do Trabalho enviou à emissora uma notificação, recomendando "a participação de atores e atrizes negros e negras em novelas e programas, a fim de propiciar a representação da diversidade étnico-racial, especialmente em cenários de população predominantemente negra". A produção será exibida em horário nobre e estreia na próxima 2ª feira (14.mai).

A novela foi gravada ambientada na Bahia, estado que segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apresenta maior número de pessoas negras em território brasileiro. O principal conflito da trama consiste no fato de que o protagonista, Emílio Dantas, é convencido a não dizer a verdade sobre o que aconteceu e assumir uma nova identidade em uma localidade distante do litoral baiano, onde formará um par romântico - e branco - com a personagem de Giovana Antonelli.

"O MPT entende que o não espelhamento da sociedade nos programas televisivos gera a perpetuação da exclusão e reafirma estereótipos de limitação de espaços a serem ocupados pela população negra", diz comunicado.

A recomendação foi protocolada pela Coordigualdade (Coordenadoria Nacional de Promoção de Igualdade de Oportunidade e Eliminação da Discriminação no Trabalho) do MPT, que teve conhecimento do caso por meio de seu grupo de Trabalho de Raça.

De acordo com o Estatuto da Igualdade Racial, cabe ao Poder Público a promoção de ações que assegurem a igualdade de oportunidades no mercado de trabalho para a população negra.

Por meio de nota, a Comunicação da Globo afirma que recebeu a nota do Ministério Público e que respeita a diversidade e repudia qualquer tipo de preconceito. O descumprimento da medida pode resultar em ação judicial.

A notificação, de teor recomendatório, aponta 14 exigências que devem ser cumpridas pela Rede Globo nos próximos dias.

A Globo emitiu um comunicado em que admite que "temos uma representatividade menor do que gostaríamos e vamos trabalhar para evoluir com essa questão", mas, aparentemente, só o comunicado não foi suficiente e o Ministério Público do Trabalho (MPT) resolveu intervir. Deve informar, inclusive, as grades de horários para veiculação de campanhas institucionais pertinentes.

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