Pedido de demissão "não tem sentido" e é "exercício de campanha eleitoral"

Recorde-se que o PSD pediu esta sexta-feira a demissão do ministro da Saúde.

O ministro da Saúde português considera que o pedido para a sua demissão feito hoje (11) pelo PSD "não tem nenhum sentido" e que não é mais que um "exercício de campanha eleitoral" do PSD, principal partido de oposição ao governo do socialista António Costa. O primeiro vice-presidente da bancada do PSD garante que "não há um pedido de demissão, há uma sugestão ao ministro para que, em função das circunstâncias, ele pense e repense a sua presença no Governo".

O líder do PSD Rui Rio, que está em iniciativas partidárias em Beja, confrontado com o pedido de demissão - noticiado por vários órgãos de comunicação social - disse não ter visto o debate, mas que "as demissões dependem do primeiro-ministro", segundo a Lusa. "Não pedimos [a demissão] mas sugerimos que deve estar a repensar o seu lugar no Governo", disse o deputado, sugerindo que a responsabilidade é da comunicação social: "A conversão da sugestão em ideia de imperativa não foi nossa".

Depois da polémica eleição de Fernando Negrão como presidente da bancada parlamentar ter mostrado um ambiente de desconfiança entre os deputados do PSD e o presidente então recém-eleito, esta dessintonia entre Rio e os parlamentares sociais-democratas mostra que há ainda que afinar a relação entre a direcção e os deputados.

Face à aparente contradição entre a posição de Baptista Leite, que apelou diretamente à demissão do ministro, e a de Rui Rio, que garantiu que pedir demissões não era o seu estilo, o Observador contactou o deputado social-democrata para saber se a posição do partido tinha sido concertada entre a bancada parlamentar e a liderança do partido.

Adalberto Campos Fernandes diz que o governo está habituado a este tipo de situações por parte do PSD e que "faz parte do exercício quase quinzenal". "Estamos sincronizados com o dr. Rui Rio", afirmou.

Nestas declarações aos jornalistas, Adalberto Campos Fernandes lembrou que, historicamente, os ministro da Saúde são sempre alvo de pedidos de demissão. Para lá disso, o líder social-democrata advertiu que pedir demissão "não é propriamente" o seu "estilo". "Acha que é para levar a sério a interpelação de um deputado com estas características que faz do anfiteatro parlamentar uma sala de comício", questionou o ministro.

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