Morreu Alfie, o "bebé-milagre"

"Nosso pequeno criou asas esta noite às 02H30. Amo-te meu filho", escreveu o pai da criança, Tom Evans, no Facebook.

Na quarta-feira, a Justiça britânica negou um recurso para transferir o bebê à Itália para continuar um tratamento. O bebé sobreviveu seis horas sem respiração assistida e os médicos retomaram então o fornecimento de oxigénio e hidratação pelo facto de o bebé estar a reagir "significativamente melhor" do que se previa, relatou na altura o pai.

Além disso, o juiz permitiu que o hospital The Alder Hey Children's Hospital NHS Foundation Trust, onde ele estava internado, desligasse os aparelhos que o mantinham vivo. Estava em coma há cerca de um ano no hospital e sofria de uma doença degenerativa misteriosa que nem os médicos tinham conseguido ainda diagnosticar definitivamente.

A Alta Corte de Justiça britânica, a Corte de Apelação, a Suprema Corte e o Tribunal Europeu de Direitos Humanos já haviam negado o pedido dos pais. O que fez com que continuassem em sua batalha legal.

Na segunda-feira passada, o Ministério dos Negócios Estrangeiros italiano anunciou ter concedido cidadania italiana a Alfie para facilitar a sua chegada e transporte.

O caso também provocou muitas reações, especialmente nos círculos religiosos.

O papa Francisco chegou a fazer diversos apelos pela vida de Alfie e defendeu sua família publicamente dizendo que "o único dono da vida, do início ao fim natural, é Deus". Fez vários telefonemas pedindo que o bebê fosse mantido vivo e recebeu Tom Evans em uma audiência privada.

Neste sábado, o Pontífice afirmou que está "profundamente comovido com a morte do pequeno Alfie".

Durante o processo judicial dos últimos meses, o hospital argumentou que os exames cerebrais de Alfie mostravam uma "degradação catastrófica" dos tecidos e consideraram "desumano" manter o tratamento.

Além do aspecto médico, o caso de Alfie levantou questões éticas difíceis, como aconteceu com casos anteriores, como o de Charlie Gard, nascido em agosto de 2016 e que sofria de uma doença genética rara. A morte acontece após os pais terem perdido uma batalha judicial no Reino Unido, onde os tribunais decidiram a favor dos médicos.

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