Agências Moody's e DBRS podem 'mexer' hoje no rating de Portugal

Havia alguma expectativa nos mercados que a Moody's pudesse esta sexta-feira seguir o mesmo caminho das outras agências, até porque nos últimos seis meses, o desempenho económico e orçamental do país ficou acima do que eram as expectativas da própria agência, nomeadamente com taxas de crescimento mais elevadas, défices mais reduzidos e uma trajectória da dívida pública mais favorável.

A passagem de BBB- para BBB "reflete a avaliação da DBRS de que a sustentabilidade da dívida portuguesa melhorou", afirma a agência em comunicado divulgado esta sexta-feira.

A DBRS refere que, depois de estabilizar em torno dos 130% entre 2014 e 2016, a dívida pública em percentagem do PIB caiu para 125,7% e "projeta-se que continue a cair".

O primeiro-ministro, António Costa, reagiu entretanto na rede social Twitter, considerando a decisão um "estímulo" para que o Governo prossiga o seu trabalho: "A DBRS subiu o 'rating' de Portugal para BBB com perspetiva estável". É um novo upgrade do rating nacional, depois de em novembro do ano passado ter sido melhorada a perspetiva da nota.

DBRS melhora “rating” de Portugal para segundo nível acima de “lixo”
Ainda não foi desta que a Moody's decidiu tirar Portugal do lixo

Já a canadiana DBRS foi a única a manter Portugal em nível de investimento durante a crise, o que permitiu que o Banco Central Europeu (BCE) comprasse dívida portuguesa no âmbito do programa de compra de ativos (também conhecido como programa de 'quantitative easing').

Mas a Moody's, uma das três maiores agências internacionais, optou por ser mais prudente e não fez qualquer alteração ao rating português, mantendo-o o degrau imediatamente abaixo do "grau de investimento" e portanto ainda colocado numa zona normalmente denominada no mercado como "lixo"´. Em setembro do ano passado a instituição tinha melhorado a perspetiva da dívida para outlook positivo, o que fazia antecipar uma subida do rating no espaço de 18 meses - o que para já não aconteceu.

Deste modo, a agência norte-americana não retirou, ainda, a dívida portuguesa de longo prazo da notação de 'lixo financeiro', não seguindo os passos dados pela S&P em setembro do ano passado e pela Fitch em dezembro passado que graduaram a dívida portuguesa para terreno de investimento.

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