Aécio diz que foi ingênuo

Também são alvos da mesma denúncia a irmã do senador, Andrea Neves, o primo dele, Frederico Pacheco, e Mendherson Souza Lima, ex-assessor parlamentar do senador Zezé Perrella (PMDB-MG), flagrado com dinheiro vivo.

Em artigo publicado pelo jornal Folha de S. Paulo, o tucano se defendeu da acusação de corrupção passiva, que será analisada nesta terça-feira pela Primeira Turma do STF e que, se aceita, o tornará réu pela primeira vez na Operação Lava Jato - o senador é alvo de outros 9 inquéritos na Corte.

Aécio foi denunciado após ter aparecido em gravação do dono da JBS, Joesley Batista, pedindo R$ 2 milhões, que a PGR sustenta ser propina e o senador nega, alegando que o dinheiro foi resultado de um empréstimo firmado entre ele e Joesley. O advogado alegou que não poderia comparecer à sessão porque teria de participar de outro julgamento no STJ (Superior Tribunal de Justiça).

No documento, a procuradora-geral rebate argumentos da defesa dos denunciados.

O caso será analisado pela 1ª Turma do STF que, além do relator Marco Aurélio Mello, é formada pelos ministros Alexandre de Moraes, Luiz Fux, Rosa Weber e Roberto Barroso. E prossegue: "Percebe-se claramente que a defesa usa argumentos inconsistentes para introduzir conclusão equivocada, que lhe beneficia". "O teor das articulações de Aécio Neves, obtidas por meio das interceptações telefônicas, ilustra de forma indubitável que a conduta do acusado, que procurou de todas as formas que estavam ao seu alcance livrar a si mesmo e a seus colegas das investigações, não se cuidou de legítimo exercício da atividade parlamentar".

No artigo publicado na Folha, Aécio diz que, em 2017, precisou contratar advogados e, então, sua mãe colocou um apartamento à venda porque ele não possuía os recursos necessários para cobrir os custos com a defesa.

O STF já garantiu que Joesley Batista e Marcelo Miller tenham acesso a vários documentos, não sendo razoável que se aja de forma diversa com o senador. Diz que foi ingênuo, mas não cometeu nenhuma ilegalidade. Na conversa gravada entre Joesley e Aécio, base para a denúncia, eles acertam o pagamento dos R$ 2 milhões em quatro parcelas de R$ 500 mil. Aécio enviou o primo, Fred, e disse: "Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação".

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