Hospital de São João. Crianças fazem quimioterapia nos corredores

O BE recomendou esta terça-feira ao Governo que desbloqueie e disponibilize de imediato as verbas já protocoladas para a ala pediátrica do Hospital de São João, no Porto, criticando "a obsessão pelo défice" em detrimento do investimento nos serviços públicos. A denúncia é feita pelas famílias dos menores doentes e, segundo dizem ao Jornal de Notícias que avança a notícia, são os próprios profissionais de saúde a incentivá-los a fazer a falar publicamente.

No hospital de São João, as crianças estão a receber tratamento de quimioterapia nos corredores.

As faltas de condições também se estendem até à ala pediátrica Joãozinho, que está em funcionamento há quase dez anos em contentores fora do edifício do hospital, depois de as obras na ala estarem paradas há dois anos. Declarações feitas pelo secretário de Estado da Saúde, Fernando Araújo, depois de a administração ter admitido que o bloqueio das Finanças colocava a pediatria em situação de ruptura.

"As crianças acabam de fazer quimioterapia e têm de partilhar os elevadores com os caixotes de lixo e os carrinhos de limpeza são colocados ao lado dos de comida", conta Jorge Pires, pai de um adolescente em tratamento, acrescentando ter já enviado vários emails para a administração hospitalar.

Os pais garantem não ter nada a apontar relativamente aos médicos e enfermeiros, que estão a fazer o melhor que podem, mas criticam a administração do hospital.

Já Patrícia Ferraz, mãe de uma outra criança com doença oncológica, diz que quando os menores precisam de ser internados chegam a esperar quatro e cinco horas por uma ambulância "sem condições higiénicas" que os leve até ao Joãozinho, um percurso que se faz "em alguns minutos". Já no internamento, as condições não são melhores, descrevendo quartos de isolamento "com buracos nas paredes" e "janelas [por] onde entra frio".

Contactado pela Antena 1, o Ministério da Saúde adianta que esse dinheiro será desbloqueado em breve e remete mais esclarecimentos para o hospital. "É lamentável que o ministro da Saúde ainda não tenha resolvido uma situação que é muito fácil".

"É para nós estranho que a oposição explore agora esta situação, até porque terá provavelmente conhecimento prévio que esta situação está prestes a ser resolvida", alegou.

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