BC não está satisfeito com ritmo de queda dos juros para consumidor

Eles cobraram ações do Banco Central para que o brasileiro finalmente sinta no bolso os benefícios de uma conjuntura econômica mais favorável.

Durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, o presidente do BC declarou que "para reuniões além da próxima [de maio], salvo mudanças adicionais relevantes no cenário básico e no balanço de riscos para a inflação, o comitê [Copom] vê como adequada a interrupção do processo de flexibilização monetária [corte de juros]". No entanto, ele ressaltou que a autoridade monetária quer ver um repasse ainda maior para pessoas e empresas. "Isso não significa que estamos satisfeitos com a velocidade de queda".

A platéia de senadores, ele ressaltou a decisão da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) de mudar as regras do cheque especial, anunciada nesta manhã. Queremos redução mais rápida para que tenhamos logo crédito mais barato para famílias e empresas.

- Os grandes itens estão sendo tratados _ comentou Ilan.

"No cartão de crédito, regulamentamos e impedimos a bola de neve", afirmou.

"O parcelado sem juros não vai acabar. O que nós gostaríamos é de oferecer produtos alternativos que fossem capazes de reduzir a parcela", disse Ilan Goldfajn, presidente do BC.

Segundo ele, a diferenciação entre preços quando o pagamento é feito à vista ou a prazo tem contribuído para começar "a tirar a ideia de que pagar à vista ou em 10 vezes é o mesmo". "Há um custo, e quem paga é o consumidor", pontuou.

Quando a inflação está alta, o BC tende a subir os juros.

"O Brasil precisa continuar no caminho de ajustes e reformas, em especial, as medidas de ajuste fiscal e a reforma da Previdência, para manter a inflação baixa, a queda da taxa de juros estruturais e a recuperação sustentável da economia", disse o presidente do Banco Central.

Ilan Goldfajn, chefe do BC, também voltou a defender a autonomia da instituição, ou seja, a definição de mandatos fixos para os diretores e para o presidente do Banco Central.

O presidente do BC acrescentou que a instituição tem atuado para enfrentar essas causas: custo operacional e regulatório do sistema financeiro, a falta de boas garantias, a necessidade de mais informação no sistema, os subsídios cruzados (parte dos clientes bancários, como os depositantes de caderneta de poupança e tomadores de crédito com juros mais altos, estariam bancando empréstimos mais baratos, como o imobiliário e o rural), os altos compulsórios [parte do dinheiro depositado que os bancos são obrigados a recolher ao BC] e a necessidade de estimular a concorrência.

- Trabalhando com serenidade num ambiente de inflação e juros básicos baixos, tenho certeza que vamos avançar consideravelmente.

Ilan fez uma lembrança do que já foi feito dentro da chamada Agenda BC+. Goldfajn também citou a recente redução de compulsórios, o que diminui custos para os bancos, e a criação da Taxa de Longo Prazo (TLP), mais alinhada com os juros do mercado. Frisou que a captação no mercado de capitais cresceu 91% no ano passado.

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