Memo do Facebook de 2016 indica desejo de crescer a qualquer custo

Talvez alguém encontre amor. Talvez até salve a vida de alguém à beira do suicídio. Isso pode ser mau se os utilizadores transformarem o conteúdo em algo com efeito negativo. Talvez venha a custar a vida de alguém ao expor a 'bullies'. Talvez um dia alguém morra num ataque terrorista coordenado com as nossas ferramentas.

No comunicado interno, Bosworth escreveu que "é um fato que nós conectamos mais pessoas".

Os problemas do Facebook aumentaram na quinta-feira à noite, 29, com o vazamento de um memorando escrito há dois anos por um alto executivo, que aponta que a rede social estava determinada a crescer apesar dos riscos para seus usuários.

O documento levanta a questão sobre o que é que o Facebook está disposto a sacrificar pelo seu crescimento e missão de ligar as pessoas.

A publicação deste memorando vem na sequência de uma vasta polémica internacional com a empresa Cambridge Analytica, acusada de ter recuperado dados de 50 milhões de utilizadores da rede social, sem o seu consentimento, para elaborar um programa informático destinado a influenciar o voto dos eleitores, favorecendo a campanha de Donald Trump.

Também Bosworth veio a público reagir através do Twitter à publicação do seu memorando.

"Eu não concordo com 'post' hoje nem concordei com ele quando o escrevi".

"O propósito do texto, como muitos outros que escrevi internamente, era trazer à superfície assuntos que considerava que mereciam mais discussão dentro da empresa".

Para conscientizar as pessoas disso, a empresa Supremo criou um site que revela todas as informações pessoais que podem ser vistas por outras pessoas em seu Facebook, mesmo sem que você tenha consciência disso.

Não existe registo de uma resposta de Zuckerberg ao memorando. Este foi um [exemplo] que a maior parte das pessoas do Facebook, incluindo eu, discordou fortemente. "Nunca acreditamos que os fins justificam os meios", completou.

"Reconhecemos que, só por si, conetar as pessoas não é suficiente". Também precisamos de trabalhar para aproximar as pessoas. "Mudámos a nossa missão inteira e foco da empresa para o refletir neste último ano", concluiu.

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