Inglaterra registra primeiro caso do mundo de 'supergonorreia', resistente a antibióticos

Em relatório divulgado na nesta quinta-feira, o Serviço de Saúde Pública da Inglaterra informou que o homem, heterossexual e com uma parceira regular no Reino Unido, teria sido infectado com uma cepa da bactéria Neisseria gonorrhoeae resistente a vários antibióticos após contato sexual com uma mulher em uma viagem ao Sudeste Asiático. Além disso, funcionários de saúde estão tentando rastrear pessoas que tiveram relações sexuais com o paciente para conter a possível propagação da doença.

Em julho do ano passado, um estudo da OMS revelou que o sexo oral estava produzindo uma perigosa forma de gonorreia, e o declínio no uso da camisinha está ajudando a espalhar a doença. "Esta é a primeira vez que um caso apresenta uma resistência de alto nível a essas drogas e à maioria dos outros antibióticos normalmente usados", disse a Gwenda Hughes, cientista consultora e chefe da seção de infecções sexualmente transmissíveis da Public Health England, à CNN.

A doença atinge órgãos sexuais, reto e garganta - sendo através dessa última o modo mais favorável para que a bactéria se torne resistente aos medicamentos, uma vez que a dosagem de antibiótico é menor do que a usada quando a infecção acontece em outras áreas do corpo e que essa região está suscetível a um grande número de bactérias. Algumas dessas bactérias acabam desenvolvendo resistência às drogas. É possível ter a doença e não manifestar sintomas claros (é o caso de 10% dos homens heterossexuais e de mais de 75% das mulheres e homens homossexuais), mas estes incluem corrimento purulento, dor ao urinar e perdas de sangue fora da menstruação. Infecções não tratadas podem levar a infertilidade, doença inflamatória pélvica e podem ser transmitidas para o bebê durante a gravidez.

A gonorreia tem sido uma preocupação crescente para as organizações internacionais de saúde, pois outros casos de resistência aos medicamentos já foram registrados, embora não tão graves quanto este.

Ainda de acordo com a BBC, análises laboratoriais da infecção indicaram que um último medicamento ainda poderia funcionar no caso do homem britânico, o qual se encontra atualmente sob terapia.

"Desde a introdução da penicilina, que garante uma cura rápida e confiável, a gonorreia desenvolveu resistência a todos os antibióticos", explicou Richard Stabler, da Escola de Londres de Higiene e Medicina Tropical.

Também no Reino Unido, em 2015, foi detectado um tipo resistente à azitromicina.

E, segundo a OMS, serão necessárias vacinas para interromper a dispersão da gonorreia.

A entidade vem pedindo para que governos monitorem a proliferação da resistência da doença e invistam em novos remédios.

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