Caravanas de Lula mostram a divisão norte-sul do eleitorado — Ricardo Kotscho

Com cavalos, tratores e pixulecos - bonecos de Lula vestidos de presidiários-, produtores rurais e empresários da cidade ficaram concentrados a poucos metros dos militantes petistas que foram até a entrada da Unipampa para assistir ao discurso do ex-presidente na etapa gaúcha da "Caravana Lula pelo Brasil".

Lula teve de recorrer a um acesso lateral, protegido pelo "Exército de Stédile" - estavam perplexos com a resistência. "Sabe por quê? Porque estou tranquilo com minha inocência e quem terá de sair do país um dia são eles", disse Lula, durante a conversa.

Em seu discurso, Lula chamou a oposição de fascista. "Se me deixarem, se for possível, e até quando o partido quiser, serei candidato a presidente". Também presente, o ex-presidente do Equador Rafael Correa discordou: "Uma injustiça que se comete contra um homem se comete contra a humanidade". Para que isso não venha a acontecer, a defesa do ex-presidente tenta nas instâncias superiores, em Brasília, uma reviravolta.

Lula se encontrará nesta tarde com o ex-presidente uruguaio José 'Pepe' Mujica, já na segunda parada de sua viagem, em Santana do Livramento (RS). O encontro também teve a presença da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

"As mudanças não podem se respaldar em apenas uma figura, porque amanhã não está a figura e a luta continua". Durante essas viagens, Lula tem defendido o legado de seus governos e ao mesmo tempo se precavido para não violar a legislação eleitoral, que proíbe campanhas antes do prazo entre julho e agosto.

"Meu problema pessoal é pequeno diante da aflição de milhões de trabalhadores brasileiros que já perderam o emprego", disse Lula sob o risco de ser preso. "Se pregamos por igualdade temos que viver como o povo e não como uma minoria privilegiada", disse ele, antes de seu discurso ser interrompido por uma queda de luz.

O uruguaio disse ainda que os partidos de esquerda têm que cuidar enormemente da conduta dos que os representam. A atividade - segundo ponto da agenda de Lula no Rio Grande do Sul - foi suspensa por dez minutos devido à falta de energia que atingiu a praça.

Também houve tensão na fronteira.

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