Farmácias passam a fazer teste do VIH e hepatite B e C

A experiência internacional, sublinha ainda o despacho assinado pelo Ministério da Saúde, "comprova a importância do envolvimento das farmácias comunitárias na deteção precoce destas infeções, desempenhando um relevante papel no atendimento personalizado e aconselhamento diferenciado aos cidadãos no âmbito da literacia em saúde, da deteção precoce de fatores de risco e da prevenção da doença".

O Governo vai publicar esta segunda-feira, em Diário da República, um despacho, invocando "a defesa do interesse público", em que passa a autorizar nas farmácias portuguesas a realização de testes rápidos para a deteção de infeção por VIH e hepatites virais (B e C) sem necessidade de prévia prescrição médica, avança o "Público". Basta um picada no dedo e a recolha de três gotas de sangue e, em 15 minutos, o utente tem acesso aos resultados. A adesão dos estabelecimentos, por enquanto, é voluntária.

No entanto, a sua venda ainda era vedada a farmácias. "Esta medida vai permitir identificar de forma mais precoce casos de infecção e acabará por contribuir para reduzir o estigma social", acredita a directora dos programas nacionais para a infecção VIH/sida e hepatites virais da Direcção-Geral da Saúde (DGS), a médica Isabel Aldir.

Caso os resultados sejam positivos, é necessária posterior confirmação através dos exames convencionais em laboratório.

A vantagem é que, com este modelo que envolve as farmácias e os laboratórios, existe a garantia de que o farmacêutico ou outro profissional de saúde comunica o resultado e encaminha a pessoa para cuidados médicos, enfatiza a médica Isabel Aldir.

Os profissionais de saúde nas farmácias e laboratórios de análises vão brevemente (o Infarmed tem agora de 30 dias para publicar as normas necessárias para operacionalizar a concretização da medida) receber formação da Ordem dos Farmacêuticos para prestar, antes e depois do teste, informação apropriada - sendo da responsabilidade destes reencaminhar, em caso de diagnóstico positivo, os pacientes para uma unidade hospitalar.

Em 2016, fizeram-se 468.301 testes de rastreio de VIH, 203.836 dos quais nas instituições hospitalares e 235.900 em entidades convencionadas.

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