Guilherme Boulos é confirmado candidato à Presidência pelo PSOL

Na conferência eleitoral do PSOL, realizada neste sábado em São Paulo, Boulos teve 71% dos votos dos delegados da sigla. O rival interno de Boulos é filho de Plínio Arruda Sampaio, candidato à Presidência pela legenda em 2010 e falecido em 2014. Segundo ele, 40% do partido "não entende e não digere" a candidatura do Boulos.

O presidenciável do PSOL ainda afirmou que não aceitará doações de bancos e grandes empresas, criticando um Estado brasileiro que é um "Robin Hood ao contrário", beneficiando banqueiros e magnatas, em detrimento da população mais humilde. "PSOL marcha unido a partir de amanhã em defesa dessa chapa. Faz parte da democracia", pontuou. "Tenho muita dificuldade de ser Boulos, porque para ser Boulos precisaria que ele tivesse passado pelas instâncias reais do partido". A líder indígena Sonia Guajajara, que também era uma das postulantes a pré-candidata à Presidência, recebeu votação unânime e será a vice na chapa de Boulos. É a chapa de todo o PSOL e tem confiança da militância - afirmou. "O Boulos é um ser estranho ao partido", declarou, afirmando que continuará "contra o lulismo, com Lula ou com Boulos".

Ele voltou a defender o direito do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ser candidato e acrescenta: "Não defendemos isso apenas no gogó. Vamos apresentar uma alternativa real de projeto para o Brasil", disse Boulos após ser escolhido pré-candidato do PSOL ao Palácio do Planalto, de acordo com o site do partido.

- Tivemos outras pré-candidaturas que puderam manifestar suas divergências. "Ela tem unidade na democracia, o que implica o direito de o Lula ser candidato, contra as reformas do Temer e deve expressar isso, mas também tem diferenças de projeto, de análise, de balanço do País e de onde queremos chegar", afirmou.

- Nem sequer a ditadura militar, em 21 anos, mexeu na CLT. O governo Temer em dois anos praticamente revogou a legislação trabalhista. Não há no mundo precedente como a Emenda Constitucional 95, que congela investimentos sociais por 20 anos; nem os maiores apologetas do neoliberalismo fizeram isso. "Nem Margareth Thatcher, nem (Augusto) Pinochet, nem Carlos Menem, nem Fujimori, ninguém ousou algo tão drástico, grave e brutal como foi feito com essa emenda", afirmou. O líder do PSOL disse que não vê Bolsonaro como um concorrente, mas como "bandido, criminoso", e o acusou de incitar o racismo e a apologia ao estupro, em episódio com a deputada federal Maria do Rosário.

Boulos, que antes de se filiar ao PSOL defendeu candidato único da esquerda, disse que a fragmentação de candidatos não exclui a união em torno de pautas comuns.

Em relação ao financiamento de campanha, Boulos disse o partido buscará o fundo público e lançará ações de captação de recursos pela internet.

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