Notícias falsas se espalham 6 vezes mais rápido que as verdadeiras

Diz o velho ditado que "a mentira tem pernas curtas", mas nesses tempos de internet parece que a situação se inverteu, pelo menos no mundo digital. A nova pesquisa foi publicada nesta quinta-feira, 8, na revista Science. Uma equipa de cientistas do Instituto de Tecnologia do Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, fez uma análise a 126 mil informações falsas, verdadeiras ou mistas twittadas (partilhadas) mais de 4,5 milhões de vezes por três milhões de pessoas entre 2006 e 2017.

Ao analisarem e compararem os padrões de compartilhamento destas dezenas de milhares de "cascatas", os pesquisadores observaram que os rumores classificados como "falsos" pelas organizações de checagem se espalharam mais longe, rápido, "profundamente" - isto é, foram replicados por um novo usuário único, aumentando o número de "degraus" da cascata - e com maior abrangência do que os considerados verdadeiros.

A tendência também se manteve independente do tema geral que os rumores abordassem, mas foi mais forte quando versavam sobre política do que os demais, na ordem de frequência: lendas urbanas; negócios; terrorismo e guerras; ciência e tecnologia; entretenimento; e desastres naturais. Segundo a investigação, estes foram utilizados para favorecer o republicano Donald Trump, que derrotou nas eleições a democrata Hillary Clinton, e para acentuar a polarização na população americana.

Por outro lado, o levantamento também trouxe algumas surpresas. Os resultados apontaram que as notícias falsas eram 70 por cento mais prováveis de serem compartilhadas pelas pessoas do que as verdadeiras.

Assim, outra surpresa do estudo veio do perfil de quem mais compartilha rumores falsos.

No final de fevereiro, o Twitter publicou novas regras que procuram limitar a influência dos "bots" no funcionamento normal daquela rede social. Ao contrário do que seria de imaginar, os utilizadores que as espalham tinham poucos seguidores e seguiam poucas pessoas e eram significativamente menos ativos no Twitter. Eles dizem ainda que empresas como Google, Facebook e Twitter têm "responsabilidade ética e social que transcende as forças do mercado" e devem contribuir para a pesquisa científica sobre as notícias falsas. Ou seja, propagavam-se na mesma mais informações falsas do que verdadeiras. Aliás, a informação verdadeira demora seis vezes mais a alcançar 1500 pessoas do que a falsa. - Isso não quer dizer que as pessoas são estúpidas. As redes sociais colocam todas informações num mesmo nível, o que torna difícil diferenciar o verdadeiro do falso. Elas servem para os outros saberem onde estamos e também para nos lembrar onde estamos, reforçando nossa identidade para nós mesmos e para os outros. Embora a maior dos internautas esteja preocupada com a difusão de notícias falsas por parte de "bots" - programas informáticos que o fazem em larga escala de forma automatizada - o estudo revelou que a propagação deste tipo de informações se deve sobretudo à ação humana.

Vosoughi e mais dois colegas decidiram então testar a veracidade do Twitter e concluíram que a informação falsa viaja mais, mais depressa e de forma mais intensa do que a verdadeira. "O estudo da Science é muito bem feito e tem uma metodologia sólida". Mas os autores alegam que as notícias falsas se espalham mais rápido que a verdade e eu acho que eles não têm elementos para afirmar isso. Aqui, em especial quando o tema é político, ganham força publicações e compartilhamentos com links para veículos com vieses ideológicos demarcados em ambos lados do espectro.

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