Lucro dos CTT cai para metade

Os acionistas vão receber um 'payout' de 208 por cento, ou seja, mais do dobro dos lucros alcançados pela empresa.

Os CTT-Correios de Portugal registaram uma queda de 56,1% no seu lucro líquido em 2017, para 27,3 milhões de euros, com a descida do tráfego de correio e provisões a contribuir para a queda, anunciou a empresa.

Francisco Lacerda, presidente dos CTT, esclareceu no entanto que o objetivo da gestão é que ao longo da implementação do chamado plano de transformação operacional, a decorrer entre 2018 e 2020, a empresa regresse à política de dividendos anterior.

Francisco Lacerda não revela o acordo com a Câmara Municipal de Lisboa para a devolução da taxa de protecção civil através de vale postal. "Sinto-me bem onde estou e com o apoio necessário dos accionistas", afirmou Lacerda, notando que num conselho de administração onde a Gestmin - que é a maior accionista, com 12,43% do capital - tem assento, "obviamente que as posições do conselho dos CTT são também as da Gestmin".

No Banco Postal, os rendimentos aumentaram 691,8%, para 7,6 milhões de euros (que comparam com cerca de um milhão no exercício de 2016). No total, os rendimentos operacionais dos CTT aumentaram 2,5%, uma evolução justificada "pela mais-valia e os juros associados à venda dos imóveis da Rua de S. José em Lisboa", por 16,3 milhões de euros, revelam os CTT no comunicado. No final do ano passado, a instituição financeira dos CTT contava com 184 trabalhadores, mais 13,6% que um ano antes. No quarto trimestre já estavam contabilizadas 161 saídas, com custos de indemnização previstos de 11,9 milhões de euros. Primeiro "é preciso fazer um trabalho aprofundado de desenho" daquilo que se pretende "e ver os investimentos necessários", resumiu Lacerda.

O presidente dos CTT foi igualmente vago em relação ao processo de reestruturação da rede de balcões, explicando que esse é um elemento que a empresa vai avaliando "a cada momento".

Edition: