Cade pode barrar compra da Liquigás pela Ultragaz

Enquanto Cristiane entendeu que a proposta da Ultra de vender o equivalente a 45% da Liquigás não era suficiente para garantir a concorrência neste mercado, Polyanna teve opinião contrária.

Com a líder do mercado de gás de botijão (GLP) comprando a segunda colocada, a fusão das duas empresas foi considerada complexa desde o anúncio, em novembro de 2016, ao elevar a concentração de mercado das nova companhia a mais de 60% em alguns municípios. Sem o aval do Cade, a Ultragaz terá que pagar uma multa de 10%, ou R$ 280 milhões à Liquigás.

Ela ressaltou que a aprovação do negócio só seria possível com restrições muito fortes e de difícil implementação.

O negócio seria vantajoso tanto para a Petrobras - que está em processo de desinvestimentos de ativos - quanto para a Ultragaz, que ganharia mais mercado.

As negociações sobre um acordo se intensificaram nas últimas semanas, quando os conselheiros registraram 17 reuniões com advogados e executivos das empresas envolvidas.

A conselheira-relatora do caso, Cristiane Alkmin, recomendou a condenação depois de negociar com as empresas sem consenso sobre possíveis "remédios".

No mercado, uma empresa pega o botijão na casa do cliente. A maioria do Conselho considerou que a operação poderia ser negativa para os consumidores.

Em agosto do ano passado, o grupo Ultra já teve barrado outro importante negócio pelo órgão antitruste - a compra da rede de postos Ale pela Ipiranga. A avaliação de fontes da área é que a Ultra "menosprezou" o Cade nos dois casos. Dos sete conselheiros, cinco votaram pela rejeição.

Procurado, o grupo Ultra disse que não se pronuncia a respeito do julgamento. Após o CADE rejeitar a incorporação da empresa pela Ultrapar (UGPA3), a petroleira brasileira estuda vender fatia da Liquigás através de um IPO, conforme notícias da Folha de S. Paulo.

O IPO surge em meio às tentativas que a Petrobras têm feito de reduzir seu endividamento.

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