Ao som de reggaeton, Maduro inscreve candidatura em eleições controversas na Venezuela

Henri Falcón é o nome de que se fala na Venezuela.

O dirigente opositor venezuelano Henri Falcón, 56, apresentou nesta terça (26) sua candidatura à Presidência, contrariando o consenso da coalizão Mesa da Unidade Democrática (MUD) de boicotar o pleito de 22 de abril, em que Nicolás Maduro busca se reeleger.

- Serei leal ao legado do gigante Hugo Chávez - disse Maduro em um palco, ao som de um reggaeton, sendo acompanhado por apoiadores até o CNE.

O partido de Falcón, Avanço Progressista, integra a Mesa da Unidade Democrática.

Maduro, ex-motorista de ônibus de 55 anos, tem quase garantida a reeleição, apesar de seu governo ser reprovado por 75% dos venezuelanos, segundo pesquisa Datanálisis, em razão da grave crise econômica no país, asfixiado pela escassez de alimentos e remédios, e pela hiperinflação. Inscreva-se, covarde! - desafiou.

Segundo o Instituto Venezuelano de Análises de Dados, que não pertence ao governo, Falcón conta com 23,6% das intenções de voto, diante de 17,6% de Maduro.

Além de Falcón e Maduro, haviam se inscrito até a conclusão desta edição o pastor Javier Bertucci e o engenheiro Reinaldo Quijada.

Mas a oposição está longe de ser um perigo real devido à máquina chavista e ao vasto controle institucional e social do governo, estimam os analistas.

Apesar de Maduro repetir que "haja chuva, sol ou relâmpago" haverá eleições em 22 de abril e que vai ser reeleito com ou sem oponentes, enquanto a MUD busca apoio internacional para forçá-lo a reagendar eleições com garantias.

Em outubro passado, o ex-governador fracassou em sua tentativa de ser reeleito no estado de Lara e gerou desconfiança entre os opositores por seu passado chavista. A chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, exigiu na segunda-feira que a Venezuela garanta "eleições confiáveis", reiterando que a União Europeia, que já impôs sanções a funcionários do governo venezuelano, está "pronta para reagir" caso contrário. Washington, que além de medidas contra autoridades venezuelanas impôs sanções econômicas, ameaçou lançar um embargo ao petróleo, o que significaria um duro golpe para um país que obtém 96% de sua receita por meio do combustível, do qual os EUA ainda são o principal cliente.

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