Após novo rebaixamento, Fazenda diz que segue comprometida com agenda de reformas

O Ministério da Fazenda divulgou uma nota em resposta à reavaliação, no sentido negativo, da nota de crédito do Brasil pela agência de classificação de risco Fitch Ratings, de BB para BB-.

Com isso, o Brasil ficou ainda mais longe do chamado "grau de investimento", que classifica os países como bons pagadores.

Conforme a agência, o corte reflete a persistência do grande déficit fiscal, um alto e crescente endividamento do governo e o fracasso das reformas legislativas que poderiam melhorar o desempenho estrutural das finanças públicas. A Fitch considera que o Brasil deve crescer 2,6%, em média, neste e no próximo ano, depois de ter assistido a uma expansão económica de 1% no ano passado, noticia a agência de informação financeira Bloomberg.

"As eleições presidenciais e parlamentares de outubro significam que a reforma da Previdência será adiada até as eleições e há incerteza quanto sobre se a próxima administração poderá garantir sua aprovação em tempo hábil", escreveu a agência.

A reavaliação da nota de crédito vem na mesma semana em que o governo anunciou a decisão de suspender a tramitação da proposta de emenda constitucional (PEC) da reforma da Previdência pela impossibilidade legal de votar uma alteração na Constituição enquanto vigora a intervenção federal no Rio de Janeiro. A agência projeta ainda que a média do déficit público vai alcançar 7% do PIB entre 2018 e 2019. A outra principal agência de classificação de risco, Moody's, ainda não alterou a nota do país e continua a manter o Brasil dois níveis abaixo do grau de investimento.

"Em nota, o Ministério da Fazenda reagiu ao rebaixamento argumentando que governo segue comprometido em progredir com a agenda de reformas macro e microeconômicas destinadas a garantir o equilíbrio das contas públicas".

A Fitch rebaixou o rating do Brasil para BB-, com perspectiva estável. Ele tinha pedido que a S&P, a Fitch e a Moody's aguardassem a votação da reforma da Previdência, prevista para fevereiro, antes de tomarem qualquer decisão sobre a nota do Brasil.

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