Capiberibe questiona intervenção no Rio e aponta incoerência do governo Temer

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou, nesta quarta-feira, a intervenção militar no Rio de Janeiro.

O ex-presidente destacou também que o brasileiro está perdendo as esperanças. Após o enterro da reforma, Temer teria encontrado na segurança pública uma oportunidade de viabilizar sua reeleição à Presidência da República em 2018. Primeiro ele deu a mão, ao decretar a intervenção militar no Rio de Janeiro, agora os militares querem o braço inteiro, ao exigirem poder absoluto para realizar buscas e prisões coletivas nos morros cariocas. "E não vão", disse Lula, lembrando que o Exército já ficou um ano na favela da Maré e, ao sair, os problemas voltaram. Se existe uma unanimidade hoje no Brasil, é que a elite brasileira não quer que eu seja candidato. "Se o estado não está presente com políticas públicas, a violência aparece", disse, se referindo à estratégia para enfrentar a crimnalidade. O exército é preparado para defender a soberania nacional e não estar nas favelas.

Lula acrescentou que esse resultado negativo aconteceu com as Unidades Policiais de Pacificação (UPPS), implantados pelo ex-governador Sérgio Cabral (MDB), hoje preso em presídio de Curitiba, no Paraná, condenado por corrupção e lavagem de dinheiro.

"É preciso ter clareza que mais ou menos violência está ligada à capacidade de desenvolvimento do Estado, e o estado do Rio de Janeiro está empobrecido, é a grande vítima da crise desse país", afirmou o ex-presidente, citando os problemas da indústria naval e do setor de óleo e gás, o "baque" da Petrobras com a Lava Jato, além de com policiais, professores e servidores públicos sem receber salário. "Acho que o Temer está fazendo uma aposta".

Segundo o parlamentar, o governo delega aos estados o dever de garantir a ordem e a segurança dos cidadãos por não ser capaz de cumprir essa missão. "Não existe essa de MDB nunca mais". Como o Pimentel vai governar Minas Gerais sem o PMDB? Porém, ele disse que o PT poderá fazer alianças regionais com o partido.

Para Lula, que lidera as intenções de voto em todos os cenários nas eleições presidenciais de outubro e pode ser inabilitado pela Justiça Eleitoral, a ação do governo é uma "pirotecnia", que está relacionada à falta de votos do governo para aprovar a reforma da Previdência.

Depois da entrevista, o ex-presidente Lula foi visitar um acampamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em Itatiaiuçu, na região metropolitana de Belo Horizonte.

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