FMI melhora projeção de crescimento brasileiro para 1,9%

Divulgado hoje (22), o relatório World Economic Outlook destaca que a atividade econômica global registrou crescimento previsto de 3,7% em 2017, 0,1 ponto percentual acima do projetado em outubro, quando a última versão do documento foi divulgada.

A zona euro recebeu uma promoção de três décimas nos dois anos em causa, devendo crescer 2,2% neste ano, ainda que depois perca gás, até 2% de expansão do produto interno bruto (PIB) em 2019.

Este aumento dos investimentos deve se traduzir em um crescimento adicional de 1,2 ponto percentual até 2020, que seria gradualmente reduzido a partir de então, dada a natureza temporária de algumas das medidas. O FMI também prevê crescimento global de 3,9% para 2018 e 2019, o que representa aumento de 0,2 ponto percentual sobre a projeção do relatório anterior.

A elevação das previsões para a economia brasileira em 2018 e 2019 pelo FMI é bem mais tímida que a da pesquisa Focus, do Banco Central, que ouve 100 instituições financeiras e consultorias semanalmente.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) melhorou as estimativas de crescimento da zona euro, estimando agora que a economia do conjunto dos países da moeda única europeia cresça 2,2% em 2018 e 2% em 2019.

"Estas mudanças se devem principalmente a melhores perspectivas no México, que se beneficia de uma maior demanda dos Estados Unidos; uma recuperação mais firme no Brasil e os efeitos favoráveis de preços mais altos das matérias-primas e condições de financiamento mais fáceis em países exportadores de matérias-primas", detalhou o organismo dirigido por Christine Lagarde. Este estudo só calibra as previsões para as principais economias do globo.

Na região do Oriente Médio, Norte da África e Paquistão, ainda existe expectativa de avanço em 2018 e 2019, mas elas permanecem modestas em 3,5%, segundo o FMI.

Em uma declaração, o economista-chefe do Fundo, Maurice Obstfeld, apontou para "boas notícias". "Os líderes políticos e os responsáveis pelas políticas económicas têm estar conscientes que o actual momento de crescimento económico reflecte uma confluência de factores que não é provável que se mantenha por muito mais tempo", disse.

Essa melhora, porém, não dissipa riscos de médio prazo, como a implementação da própria reforma americana (ante a queda de braço entre Congresso e Casa Branca) e eleições-chave previstas em economias de peso como Brasil, México e Itália, cujos resultados podem desviar a rota das reformas que o FMI recomenda.

Para ele, a grande crise financeira mundial de 2008 pode "parecer ter acabado à distância, mas sem medidas rápidas para atacar os obstáculos estruturais ao crescimento, a nova tendência negativa vai chegar mais rápido e será mais difícil de combater".

Assim, uma desaceleração a partir de 2022 poderia na prática anular os benefícios mais imediatos.

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