Escutas de Sócrates infectadas com vírus informático

A Procuradoria-Geral da República (PGR) já veio esclarecer que a contaminação ocorreu no momento de intersecção das conversas e não, durante a análise dessas conversas ou na fase posterior de cópia dos ficheiros.

Há provas informáticas da Operação Marquês que estão infetadas com "vários vírus", denunciou a defesa de Ricardo Salgado, um dos principais arguidos do processo.

Desse modo, verificando que alguns dos ficheiros informáticos de prova estavam "originalmente infectados com vírus, o Ministério Público optou por manter essa situação", tendo-o feito "para não alterar, de forma alguma, a versão originária dos ficheiros de prova", disse fonte da PGR. No entanto, o mesmo despacho explica que "o arguido refere ter sido advertido pelos serviços do Departamento Central de Investigação e Ação Penal de que as cópias poderiam conter vírus", pelo que a defesa de Ricardo Salgado recorreu a uma empresa especializada para realizar uma peritagem aos ficheiros, confirmando-se a presença de "vários vírus", que podem "afetar os equipamentos informáticos do escritório de advogados que representa o arguido".

De acordo com o "Público", o advogado Pedro Delille explicou que se limitou a enviar tudo para um perito informático, e que este detetou um total de cinco dezenas de vírus, entre trojans (também conhecidos por cavalos de Tróia, por entrarem nos computadores como se fossem um programa legítimo) e "outras coisas do género".

Além disso, assegura ainda Pedro Delille, "as escutas estão imprestáveis". São 700 gigabytes de escutas. Contudo, esta possibilidade também não resultou, porque o computador colocado na sala destinada aos advogados, e a que chamaram sistema de audição, tem os mesmos problemas que as peças processuais anteriormente fornecidas, conta o advogado. "Até um disco dele rebentou", diz Pedro Delille. O juiz pediu esclarecimentos ao Ministério Público sobre o sucedido.

Este á mais um episódio polémico com estas provas, depois de alguns atrasos na entrega dos ficheiros informáticos em causa aos arguidos no processo.

Na sexta-feira, deveria ter sido fixado pelo juiz de instrução o prazo de contagem para se iniciar uma nova fase do processo, a instrução, durante a qual os acusados podem tentar deitar abaixo a prova, de maneira a evitar chegarem a julgamento, mas o juiz Carlos Alexandre voltou a adiar a contagem do prazo.

Edition: