Fitch eleva a classificação da dívida de Portugal de BB+ para BBB

A subida de dois níveis atribuída pela Fitch colocou a notação da dívida portuguesa acima inclusive da atribuída (BBB baixo equivalente a BBB-) pela própria DBRS, a agência canadiana que nunca cortou o rating português para 'lixo financeiro' durante o período de resgate.

A Standard & Poor's já o tinha feito, em setembro. "É o reconhecimento das opções de política económica do Governo português", afirmou o ministro Mário Centeno. A Fitch já tinha subido a perspetiva da dívida nacional (entre abril de 2014 e março de 2016), sem depois tomar qualquer decisão sobre alterações ao rating. "A magnitude sem precedentes desta reavaliação foi possível, como refere a agência, pela recente inflexão positiva e estrutural verificada em áreas chave".

Salientando que a situação do país é "completamente" distinta de 2011, o primeiro-ministro frisou que "hoje temos uma situação de crescimento sustentado, redução sustentada do desemprego, e controlo do défice e redução da dívida". Falta apenas a Moody´s, com avaliação agendada para o início do próximo ano, para a dívida portuguesa ter nota mínima na notação de risco das três principais agências internacionais.

A decisão da Fitch ocorre no dia em que, simbolicamente, os juros das Obrigações do Tesouro a 10 anos desceram pela primeira vez desde o resgate, abaixo dos registados para os títulos italianos e pode ampliar o universo de investidores potenciais que exigem um grau de 'investimento' pelo menos em duas das três principais agências.

Além disso, o recém-eleito presidente do Eurogrupo admitiu que no próximo ano também a Moody's venha a rever em alta o rating atribuído a Portugal: "Há decisões que vão ser tomadas no futuro por outras agências que, com uma enorme probabilidade, seguirão a mesma trajectória" da S&P e da Fitch, disse.

"Nós temos vindo a fazer um trajeto de grande credibilidade junto dos portugueses, dos mercados internacionais e das instituições internacionais e esta decisão de hoje dá-nos uma certo alento para continuar neste trajeto de condições", considerou o governante português.

Questionado sobre os alertas do Fitch, sobretudo quanto à dívida pública ainda elevada e ao persistente nível de crédito malparado, o ministro das Finanças disse que essas são notas que devem servir de orientação no futuro, mas preferiu destacar os progressos alcançados.

Edition: