Ratko Mladic é condenado à prisão perpétua por genocídio na Bósnia

O Tribunal Penal Internacional para a ex-Jugoslávia (TPIJ) condenou o ex-chefe militar sérvio na Bósnia por genocídio contra a Humanidade, devido aos crimes cometidos em diversos municípios durante a guerra de 1992-1995.

No veredicto, lido pelo juiz presidente, Alphons Orie, o coletivo considera provado que Mladic quis cometer genocídio em Srebrenica (1995), enclave muçulmano na Bósnia onde mais de 8.000 homens e rapazes foram executados pelas forças sérvias, numa zona declarada segura pelos capacetes azuis holandeses.

Ratko Mladic, conhecido como "o carniceiro da Bósnia", que era comandante militar dos sérvios naquela antiga república jugoslava, foi condenado a pena de prisão perpétua por genocídio e crimes contra a humanidade.

O julgamento de Mladic é o último grande caso desta instância judicial 'ad hoc' da ONU sediada na Holanda, vocacionada para indiciar e condenar os principais responsáveis das guerras interétnicas que destruíram a ex-Jugoslávia entre 1991 e 1999 (Croácia, Bósnia-Herzegovina e Kosovo). Foi imediatamente levado para fora da sala, e assistiu à leitura da sentença através de uma televisão numa outra divisão do tribunal.

O incidente ocorreu quando a defesa do antigo chefe militar pediu o adiamento da audiência porque o arguido estava com a tensão arterial alta, mesmo quando, no início da sessão, aparentava estar relaxado, a sorrir e a fazer gestos para as câmaras.

Mladic sentou no tribunal para ouvir o veredicto, mas foi retirado do local uma hora e meia depois, quando começou a gritar.

Foi considerado culpado de dez dos 11 crimes de que era acusado, incluindo da morte de cerca de oito mil muçulmanos em Srebrenica e do cerco à capital bósnia, Sarajevo, durante 43 meses, onde morreram mais de 11 mil civis.

A motivação de Mladic teria sido criar um Estado sérvio etnicamente puro. "Ninguém poderá afirmar que o tribunal de Haia foi objectivo perante todas as partes do conflito na década de 1990", acrescentou a primeira-ministra sérvia.

Após a sentença de Mladic, o tribunal deverá encerrar em definitivo a sua atividade, prevista para 31 de dezembro, apesar de manter em funcionamento um pequeno setor provisório para analisar os recursos de outros casos.

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