Sem recursos, construtores denunciam fim do Minha Casa, Minha Vida

O movimento diz que será um evento pacífico e está previsto para começar às 9h30 desta quinta-feira, com concentração no Parque 13 de Maio, depois saída em caminhada em direção à agência Marrocos da Caixa Econômica Federal, na Praça da República, no Bairro de Santo Antônio, no Recife. O protesto ocorre simultaneamente em várias cidades e capitais do Brasil.

Cerca de 400 manifestantes estão aglomerados em frente a sede da superintendência da Caixa Econômica, desde o início da manhã (19), em Campo Grande, para protestar contra a redução dos recursos destinados pela instituição financeira ao programa federal 'Minha Casa, Minha Vida'. "Do fim de agosto pra cá, essas linhas de crédito foram reduzidas 75%, o que afeta diretamente os pequenos construtores e torna mais distante o sonho da casa própria para milhões de famílias brasileiras".

Outra solicitação é a criação de uma lista de espera das pessoas que estão com seu financiamento aprovado, mas não conseguem fazer a contratação do imóvel. "Mas o que está faltando não é dinheiro, é uma autorização de capital e por isso estamos deixando de praticar a construção civil na área da habitação, deixando de empregar e o pior, estamos desempregando", declarou o deputado.

A ACOMASUL e a FENAPC entraram em contato com as autoridades em Brasília, incluindo o presidente da CEF, Gilberto Occhi, que afirmaram que a Caixa está sem recurso suficiente. "Terça feira, dia 24, terá a reunião do conselho curador da Caixa Econômica Federal, onde poderá ser autorizado ao Banco Central o uso do capital de 10 bilhões pela Caixa Econômica, recursos esses do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço-FGTS, para que não congelássemos de vez a construção civil na área da habitação, para que possamos gerar empregos", destacou. Esta regra é chamada de índice de Basileia.

"A manifestação quer sensibilizar o Governo Federal, os órgãos competentes e conscientizar a população da realidade atual sobre o Programa Minha Casa Minha Vida, além de apresentar as principais exigências da categoria, e denunciar as arbitrariedades que vem ocorrendo no Programa".

Após mais de 40 dias de reclamações de pequenos e médios empresários do setor imobiliário, a Caixa Econômica admitiu, ontem, que parte de financiamentos já aprovados no programa habitacional Minha Casa, Minha Vida (MCMV) não estão sendo concluídos por falta de verbas. "Essa medida vai travar a construção civil, vai barrar a venda de imóveis prontos e vamos ficar sem perspectiva para os que estão em construção. No entanto, os contratos parados podem impactar negativamente na economia local e nosso intuito é evitar que a situação piore ainda mais", argumenta. "Usando números fornecidos pelas Instruções Normativa do Ministério da Cidade, por cada bilhão investido são criados ou mantidos 18.700 mil postos de trabalho".

O contingenciamento de recursos da CEF só agrava a recuperação da economia do país que ainda não decola por causa da crise mais intensa no setor da construção civil.

Segundo dados do IBGE, desde o 2º trimestre de 2013, a queda acumulada do PIB da construção civil é de 14,3% enquanto o PIB total recuou 5,5% nos últimos 4 anos.

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