Cientistas observam pela 1ª vez fusão de estrelas de nêutrons

A eventualidade é tão especial que foram publicados mais de 30 artigos científicos nesta segunda-feira (16). O anúncio foi feito na sede do Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês) em Garching, na Alemanha e no Observatório do Paranal, operado pelo ESO no deserto do Atacama, no Chile.

Segundo a nota desta segunda-feira, tanto o sinal ótico como as ondas gravitacionais provinham da fusão de duas estrelas de neutrões, que se produziu a 130 milhões de anos-luz da Terra.

Menos de dois anos se passaram desde que cientistas que trabalham no Instituto de Tecnologia de Massachusetts e no Instituto de Tecnologia da Califórnia captaram ondas gravitacionais saindo de dois buracos negros pela primeira vez. Em primeiro lugar, a descoberta supõe a deteção de uma quinta onda gravitacional, denominada GW170817 pelos especialistas, observada a 17 de agosto graças à colaboração entre o Observatório de Ondas Gravitacionais por Interferómetro Laser (LIGO), nos EUA, e o Interferómetro Virgo, em Itália.

A sequência extraordinária de eventos observada pelos cientistas começou com os dois detectores gêmeos do Ligo - localizados na Loisiana e em Washington, nos Estados Unidos.

Rainer Weiss, Barry C. Barish e Kip S. Thorne "pela contribuição para o detetor LIGO e pela observação das ondas gravitacionais", anunciou o Comité Nobel.

As ondas gravitacionais haviam sido previstas por Einstein em 1916 como um desdobramento de sua revolucionária Teoria Geral da Relatividade, que descrevia a gravidade como uma distorção no espaço-tempo desencadeada pela presença de matéria. Os cientistas já suspeitavam que as colisões de duas estrelas de nêutrons poderiam ser violentas o suficiente para criar os elementos mais pesados, mas só agora esse tipo de fenômeno foi observado e confirmado. Alertados, os telescópios terrestres e espaciais apontaram ao alvo e foi então que observaram o fenómeno luminoso, desde os raios gama, aos raios X, ao infravermelho e à luz visível, confirmando que ele resultou da colisão entre duas estrelas de neutrões, que são os núcleos muito densos que restam de estrelas de grande massa que explodiram.

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