PT manda trabalhadores para casa para contornar ACT

A operadora de telecomunicação PT está a dispensar cerca de uma centena de funcionários de comparecerem no local de trabalho por três meses, avança o jornal 'Público'. Ou, mais precisamente, não aparecerem nos locais de trabalho durante três meses (entre 16 de outubro a 15 de janeiro de 2018). Por um lado a dispensa alivia a pressão psicológica dos trabalhadores, que continuavam a ter um horário rigoroso para respeitar, mas sem funções atribuídas; por outro, torna-os mais vulneráveis a propostas de rescisão.

Um despacho assinado por Ana Rita Lopes, a diretora de recursos humanos da PT, e hoje citado pelo Público autoriza os trabalhadores que estão sem funções, "a título excepcional e temporário, a dispensa de assiduidade".

Os sindicatos falam mesmo num "presente envenenado".

As ERCT consideram que esta pode ser uma estratégia para "ludibriar a ACT", que assim, em qualquer acção inspectiva já não encontrariam no local de trabalho os trabalhadores sem funções, o que poderá contornar as coimas.

Falando à agência Lusa, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Portugal Telecom (STPT), Jorge Félix, afirmou que, neste momento, "todo o ambiente existente na PT é um ambiente de stress global", abrangendo "a generalidade dos trabalhadores". Na prática, a empresa da Altice quer mandar para casa os funcionários aos quais não dá trabalho.

A Autoridade para as Condições do Trabalho está agora a investigar o caso.

Contudo, o responsável referiu que isso vai "fragilizar mais a situação desses trabalhadores". A Comissão de Trabalhadores exige explicações.

Edition: