Os EUA saem da UNESCO e a Diretora-Geral lamenta

Os Estados Unidos anunciaram esta quinta-feira a saída da UNESCO, a organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura.

Os Estados Unidos representam um quinto do financiamento da UNESCO. À época, Israel condenou fortemente a resolução da entidade da ONU.

Os Estados Unidos indicaram à directora-geral o desejo de se manterem envolvidos na organização, mas "como um estado não-membro observador" de forma a contribuir com as suas "visões, perspectivas e conhecimento" em assuntos importantes da UNESCO, como a "protecção do património mundial, defesa da liberdade de imprensa e promoção da colaboração científica e educação".

"Essa decisão não foi tomada facilmente, e reflete as preocupações dos EUA com crescentes contas atrasadas na Unesco, a necessidade de reformas fundamentais na organização e o contínuo viés anti-Israel na Unesco", disse o departamento de Estado norte-americano.

O conflito dos EUA com a Unesco não é recente. O departamento de Estado norte-americano diz que decisão terá efeitos a partir de 31 de dezembro. Cada redução foi antecedida de uma decisão da Unesco relacionada a locais históricos em territórios palestinos. O orçamento dos EU para 2018 não inclui a UNESCO. Mesmo depois do corte de financiamento em 2011, o país continuava com poder de voto na organização e deverá continuar como observador na UNESCO, acrescenta ainda a Reuters.

Apesar de terem ajudado a criar a UNESCO, após o fim da II Guerra Mundial, os EUA criticaram sempre a suposta tendência da organização para favorecer os países do Leste europeu (durante a Guerra Fria) e as decisões anti-Israel.

A diretora-geral da Unesco, Irina Bokova, disse que a atitude norte-americana significa uma perda para o multilaterialismo. Ela reafirmou que a universalidade é fundamental para que a Unesco prossiga na construção da paz e da segurança internacionais. "É por isto que eu lamento a saída dos EUA", remata Bokova.

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