IHA: Unicef divulga raio X da violência contra adolescentes

A pesquisa comparou assassinatos de adolescentes de 12 a 18 anos nos 300 municípios brasileiros mais populosos, considerando informações de 2014.

A região mais violenta foi o Nordeste. "A violência está penetrando em todas as instâncias e isso é preocupante porque nossos jovens se tornam cada vez mais vulneráveis".

O Índice de Homicídios na Adolescência (IHA) é fruto de uma parceria entre a Unicef, Ministério de Direitos Humanos, Observatório de Favelas e Laboratório de Análise da Violência da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro).

A região Nordeste apresentou o índice mais elevado: 6,50.

Conforme o estudo, o Brasil alcançou a marca de 3,65 adolescentes entre 12 e 18 anos assassinados para cada grupo de mil jovens. O número é o mais alto já registrado desde que o Unicef começou a fazer o levantamento do IHA, em 2005.

O ponto de atenção do estudo em Santa Catarina aponta para a região da Foz do Rio Itajaí, que abrange cidades como Balneário Camboriú, Itajaí e Navegantes, por apresentar crescimento considerado significativo nos últimos anos, ultrapassando o patamar de duas mortes para cada grupo de mil habitantes (mais que o dobro da média estadual). Na visão do representante da Unicef no Brasil, Florence Bauer, os dados refletem a falta de oportunidades, que "tem determinado cruelmente a vida de muitos adolescentes".

Desde 2012, o número dos adolescentes entre 12 e 18 anos morrendo por agressão é proporcionalmente mais alto do que do resto da população brasileira - 31,6 para cada 100 mil adolescentes em 2014 comparados com 29,7 para cada 100 mil pessoas no geral. "É primordial que o País valorize melhor a segunda década de vida e dê à adolescência a importância que ela merece".

As mortes de crianças menores de 1 ano foram reduzidas de 95.938, em 1990, para 37.501, em 2015. No mesmo intervalo, de acordo com o Datasus, o número de adolescentes assassinados subiu de de 4.754 para 10.290. Segundo o levantamento, Fortaleza ficou em primeiro lugar no raking das capitais com os maiores índices de IHA com 10,94. Em 2014, os adolescentes negros tinham um risco quase três vezes maior de serem vítimas em relação ao dos brancos. O risco de um adolescente ser morto por arma de fogo é 6 vezes maior do que por outros meios.

Outro estudo conduzido pelo UNICEF, a Assembleia Legislativa do Estado do Ceará e o Governo do Estado do Ceará, Trajetórias Interrompidas, traz uma análise de homicídios ocorridos em Fortaleza e em outros seis municípios cearenses, com conclusões semelhantes. Na lista com as dez capitais mais violentas, a cidade é seguida por Maceió (9,37), Vitória (7,68), João Pessoa (7,34), Natal (7,10), Salvador (6,87), São Luís (6,68), Teresina (6,59), Belém (5,32) e Goiânia (4,76). As vítimas eram, na maioria, meninos (97,95%) e negros ou pardos (65,75%), moradores das periferias. "Os adolescentes assassinados eram, em sua maioria, pobres - 67,1% viviam em lares com renda familiar entre um e dois salários mínimos - e 70% estavam fora da escola há pelo menos seis meses", aponta o relatório. Em Fortaleza, metade dos homicídios de adolescentes aconteceu em média a 500 metros da casa da vítima.

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