Grupos rivais palestinos Fatah e Hamas chegam a acordo de reconciliação

O movimento islamita Hamas e o seu rival palestino Fatah anunciaram, nesta quinta-feira (12), a assinatura de um acordo sobre os termos concretos de sua reconciliação, após uma década de conflitos internos.

Os detalhes estão sendo divulgados aos poucos.

Em 14 de junho, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, destitui o governo de Haniyeh, após uma semana de violências com vários mortos e decreta estado de emergência em Gaza.

Muitos pontos, no entanto, ainda estão em aberto, como, por exemplo, o status do braço armado do Hamas, com seus 25 mil combatentes, e o futuro dos 50 mil servidores públicos que foram empregados pelo Hamas desde 2007.

Mahmoud Abbas, presidente da ANP, disse que este foi um "acordo final para pôr fim às divisões" entre as duas partes.

Em 27 de abril de 2011, um acordo que previa um governo transitório, encarregado de organizar as eleições, é assinado por Fatah e Hamas, em seguida, rubricado pelo conjunto dos movimentos palestinos para começar em maio. A visita deve acontecer nas próximas semanas. Em contrapartida, Cairo pressionou o Hamas para que levasse adiante o processo de reconciliação. O comunicado também exige que a Autoridade Palestina previna atividades terroristas do Hamas na Cisjordânia.

"Toda e qualquer reconciliação entre a Autoridade Palestina e o Hamas deve incluir o cumprimento de acordos internacionais e das condições do Quarteto [grupo que inclui EUA, ONU, UE e Rússia], principalmente reconhecimento de Israel e a desarmamento do Hamas", diz a nota.

Em Israel, a notícia do entendimento entre o Hamas e a Fatah foi recebida com cautela.

O conflito prolongado entre Fatah - partido político dominante da Palestina - e a organização fundamentalista Hamas levou à separação das autoridades da Palestina, além disso, Hamas tomou sob controle a região da Faixa de Gaza. Segundo a liderança do Fatah em Gaza, as medidas restritivas deverão ser removidas em breve. As repetidas tentativas de reconciliação entre ambas as facções fracassaram desde 2007. Mas todas falharam ou nem saíram do papel. Ao seu lado, o líder da equipa negocial do Hamas, Saleh Arouri, garantiu que o grupo pretende cumprir o acordo.

Por sua vez, o Hamas assegurou que não negociará a entrega de suas armas.

A Autoridade Palestina, uma entidade reconhecida internacionalmente, é dominada pelo moderado Fatah de Abbas e exerce um poder limitado na Cisjordânia, ocupada por Israel e localizada a dezenas de quilômetros de distância de Gaza.

Em março de 2017, o Hamas cria um "comité administrativo", entendido pela Fatah como um governo paralelo.

Outro ponto importante é a passagem do controlo sobre o posto fronteiriço de Rafah, na fronteira sul da Faixa de Gaza com o Egipto, para a guarda presidencial, sob supervisão da missão da União Europeia (EUBAM) - que se deverá concretizar até ao fim do mês.

A Autoridade Palestina reduz, em represália, os pagamentos para o fornecimento de energia elétrica ao moradores Gaza, bem como os salários dos funcionários da Faixa.

Israel também poderá reavaliar e aliviar o fechamento de suas fronteiras com Gaza.

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