MPF pede prisão preventiva de Nuzman por tempo indeterminado

Carlos Arthur Nuzman, presidente afastado do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), foi preso na última quinta-feira em caráter temporário.

Também foi pedida a prorrogação da prisão temporária do braço-direito de Carlos Arthur Nuzman, Leonardo Gryner, ex-diretor do COB e do Comitê Rio 2016. Os pedidos serão analisados pelo juiz Marcelo Bretos, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio. O prazo terminaria nesta segunda-feira, mas o Ministério Público Federal (MPF), pediu sua prisão preventiva, o que lhe tirará a liberdade por tempo indeterminado. "A diligência em questão pode ser evidentemente prejudicada pelo acesso ao referido cofre e movimentação dos bens lá armazenados", argumenta o texto. Nuzman tentou pagar o escritório de advocacia que o defende, o Nélio Machado Advogados, com recursos Comitê Rio-2016.

Nuzman é suspeito de intermediar a compra de votos de integrantes do Comitê Olímpico Internacional (COI) para a eleição do Rio como sede da Olimpíada de 2016. O documento, segundo o pedido dos procuradores, prova que Nuzman "continua a atuar em benefício próprio, usando os instrumentos do Comitê Olímpico Brasileiro, bem como sua influência sobre as pessoas que lá trabalham". De acordo com o MPF, a prisão de Nuzman é decorrente de uma tentativa de ocultação de provas após a polícia ter cumprido mandado de busca e apreensão na residência do presidente do COB, em setembro.

O grupo é acusado de negociar a pagar propina, até agora apurada em U$ 2 milhões, a dirigentes africanos em troca de voto na candidatura do Rio de Janeiro como sede à Olimpíada de 2016.

Agentes da Polícia Federal (PF) e MPF cumpriram na quinta-feira o mandado contra Nuzman em desdobramento da Operação Unfair Play - Segundo Tempo, um desdobramento da Lava-Jato. Também estão envolvidos no esquema, investigado em cooperação com procuradores da França, o ex-governador Sérgio Cabral, preso desde novembro, e o empresário Arthur Soares, o "Rei Arthur", que está foragido.

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