Manifestações na Espanha pedem união e diálogo entre Madri e Catalunha

Enquanto a Sociedade Civil Catalã, a plataforma que convocou a manifestação, se referiu a um milhão de pessoas que responderam à convocatória, a polícia municipal referiu-se a 350.000 participantes, de acordo com um comunicado divulgado nas redes sociais.

Durante a marcha, faziam-se entoar palavras de ordem como "Eu sou espanhol" ou "Viva Espanha, viva a Catalunha e viva a Guardia Civil".

A ministra espanhola de Saúde, a catalã Dolors Montserrat, assegurou que o governo de Mariano Rajoy "não vai abandonar" nenhum catalão.

Entretanto, o Tribunal Constitucional da Espanha suspendeu, por medida cautelar, a sessão do Parlamento da Catalunha agendada para segunda-feira (9), na qual era esperado que o governo catalão declarasse a separação. Num artigo publicado no "El País", a 1 de outubro - o dia do referendo na Catalunha -, o Nobel da Literatura defendeu: "Há que persuadir os catalães de que o nacionalismo é um dos piores inimigos da liberdade e que este período rancoroso deve ser ultrapassado, como um pesadelo que se desvanece ao despertar".

"Nós nos sentimos catalães e espanhóis", disse Araceli Ponze, 72, uma das manifestantes de Barcelona.

O caminho para ultrapassar a situação é "falar e falar de política, uma vez que se pare o golpe de Estado", referiu o diplomata, apontando "a grande responsabilidade do governo da Catalunha" quando se trata de "crispar" e "criar divisão". Mais de 90% das 2,3 milhões de pessoas que votaram no referendo no dia 1º apoiam a independência da região da Espanha, segundo dados oficiais.

A crise está a dividir a Catalunha, onde vivem 16% dos espanhóis e onde, segundo as sondagens, metade da população não é independentista. Além disso, é o principal destino turístico para estrangeiros, com cerca de um quarto do total, sobretudo para a capital catalã, Barcelona. "Nós gostamos como as coisas estiveram até agora e queremos que isso continue". Um deles, em frente à prefeitura de Madri, reuniu milhares de pessoas.

O premiê acrescentou que "a Espanha continua Espanha, e permanecerá assim por muito tempo".

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