Jornalista morre por excesso de trabalho no Japão

Dois dias depois, teve um ataque cardíaco e morreu.

No mês de sua morte, ela cobriu as eleições da Assembleia Metropolitana de Tóquio e da Alta Câmara Nacional do Japão e teria tirado apenas dois dias de folga no período.

O excesso de trabalho foi a causa da morte da jornalista Miwa Sado, 31, no Japão em 2013. Só nesta quarta-feira o caso foi tornado público, quando a agência de notícias japonesa Kyodo News divulgou. A divulgação da sua morte só foi feita agora, quatro anos depois, por respeito à sua família, acrescentou o responsável.

Embora um escritório de direitos trabalhistas em Tóquio tenha afirmado que a morte de Miwa deveu-se ao excesso de trabalho, a empresa de mídia anunciou o reconhecimento apenas agora. No final da década de 1980, esta palavra já era usual na sociedade japonesa.

Segundo um artigo de 1997 publicado na revista International Journal of Health Services, o primeiro caso identificado de morte por excesso de trabalho no Japão deu-se em 1969: um trabalhador do departamento de entrega de um jornal, casado, de 29 anos, morreu de ataque cardíaco.

O ano passado, a inspecção do trabalho japonesa concluiu também que a morte da jovem Matsuri Takahashi, de 24 anos, se ficou a dever a esgotamento laboral. O primeiro-ministro Shinzo Abe se viu obrigado a debater sobre a rígida cultura de trabalho japonesa, que privilegia os funcionários que mostram dedicação ao permanecer no local de trabalho para além do horário estipulado. Além disso, 22,7% das empresas entrevistadas entre dezembro de 2015 e janeiro de 2016 disseram que tinham funcionários com mais de 80 horas extras por mês, o que representa um grave risco para a saúde.

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