Catalunha: Justiça espanhola abre processos contra polícia e dirigentes catalães

- Isso provavelmente acabará uma vez que tivermos todos os votos do exterior no fim da semana e, portanto, provavelmente atuaremos durante o fim de semana ou no começo da próxima semana. Caso o governo espanhol tente intervir e tomar o controlo da Catalunha, faria "um erro que muda tudo", avisou.

A Espanha estremeceu com o referendo catalão e com a reação da polícia espanhola; que usou cassetetes e balas de borracha para impedir as pessoas de votarem.

Entretanto, o governo autonómico catalão dirigiu um pedido à Igreja para que sirva de mediador entre Barcelona e Madrid em relação à questão independentista.

Para esta quarta-feira, está marcada uma declaração de Carles Puigdemont, que falará às 21h (20h em Lisboa).

A consulta popular foi agendada pela Generalitat, o parlamento catalão, que é dominado pelos separatistas, mesmo depois de o governo de Mariano Rajoy e o Tribunal Constitucional terem declarado que o referendo era ilegal.

A sessão, disse a deputada da CUP Mireia Boya, citada pelo El País, servirá para "proclamara a repúblcia catalã".

Ontem à noite, o rei espanhol fez um discurso na televisão em que acusou os líderes catalães de mostrar "desrespeito pelos poderes do estado" e de "quebrar os princípios democráticos do estado de direito".

"Essas autoridades menosprezaram os afetos e sentimentos de solidariedade que têm unido e unirão o conjunto dos espanhóis".

Esta comunicação vem na sequência das declarações à BBC de Carles Puigdemont, em que este afirmou que a Catalunha iria declarar a independência nos próximos dias, tendo também anunciado que o governo "irá agir no final desta semana ou início da próxima".

"Com a sua conduta irresponsável podem, inclusivamente, pôr em risco a estabilidade económica e social da Catalunha e de toda a Espanha", avisou.

Esta quarta-feira o Parlamento Europeu reúne-se para debater a situação em Espanha.

Depois do referendo, proibido, de domingo, marcado pela violência policial, Madrid e Barcelona travam um conflito que é considerado o mais grave desde o golpe falhado de 1981. Partidos a favor da separação detêm uma pequena maioria de assentos no Parlamento catalão, o que faz com que uma votação seja apenas simbólica diante da facilidade de aprovação da independência. Segundo as autoridades catalãs, mais de 90% dos mais de 2,26 milhões de eleitores, que participaram do referendo, apoiaram a independência da região.

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