Acordo de comércio vai influenciar buraco orçamental na Europa — Brexit

As declarações do negociador europeu, no plenário do Parlamento Europeu reunido em Estrasburgo (nordeste), acontecem uma semana antes da nova rodada de negociações do divórcio entre Reino Unido e a UE prevista a partir de segunda-feira em Bruxelas.

Os eurodeputados defenderam que, a menos que exista um "avanço assinalável" nesses três domínios durante a quinta ronda de negociações, o Conselho Europeu deve decidir "adiar a sua avaliação sobre se foram registados suficientes progressos", na próxima reunião, agendada para 19 e 20 de outubro em Bruxelas.

Entre 9 e 12 de outubro está programada uma nova ronda de negociações em Bruxelas. "Não podemos falar do futuro sem uma clarificação real".

Os eurodeputados consideraram ainda que os compromissos recentemente assumidos pela primeira-ministra britânica, Theresa, May "se traduzam em mudanças palpáveis na posição do Reino Unido e em propostas concretas nesse sentido", incluindo a salvaguarda do conjunto de direitos de que os cidadãos beneficiam atualmente (cerca de 3,2 milhões de cidadãos da UE-27 residem no Reino Unido e 1,2 milhões de cidadãos britânicos residem na UE-27). No dia 30 de Maio de 2019 o Reino Unido deverá sair da UE tornando-se um país terceiro.

Os europeus desejam "progressos suficientes" nas atuais prioridades da negociação: garantir os direitos dos cidadãos diretamente afetados pela saída britânica da UE, o valor que Londres deve pagar por sua retirada e a questão irlandesa.

A resolução defende ainda o respeito na íntegra pelo Reino Unido das obrigações financeiras que contraiu enquanto Estado-membro da UE e a apresentação pelo governo britânico de uma solução única, eficaz e viável que impeça o restabelecimento da fronteira entre a Irlanda e a Irlanda do Norte, que assegure a execução integral do Acordo de Sexta-Feira Santa e que esteja em conformidade com o direito da UE. Por exemplo, em relação aos cidadãos afectados pelo "Brexit", o papel do Tribunal Europeu de Justiça que deverá velar pelos seus direitos, ou os aspectos relacionados com a reunificação familiar ou ainda com o uso no exterior de benefícios sociais adquiridos no Reino Unido. "Contudo, o diabo está como sempre nos detalhes, e os contribuintes da UE 27 não devem pagar pela decisão britânica", advertiu o presidente da Comissão Europeia. Michel Barnier reconheceu "divergências sérias" em relação a esta questão.

Nas suas intervenções, muitos eurodeputados pediram a Londres que clarifique as suas posições negociais, ironizando sobre as diferentes opiniões que parecem coabitar no Governo britânico sobre o "Brexit".

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