ONU estima que 470 mil refugiados rohingyas no Bangladesh precisam de abrigos

"ONGs em Mianmar estão cada vez mais preocupadas com as severas restrições ao acesso humanitário e impedimentos à prestação da gravemente necessária assistência humanitária em todo o Estado de Rakhine", disseram grupos de ajuda, em comunicado.

O gesto das autoridades birmanesas continua estando limitado a uma "viagem organizada" que permitiria aos responsáveis humanitários avaliar a situação.

Os rohingya enfrentam há décadas perseguições e discriminação em Mianmar, um país de maioria budista.

Cerca de 480 mil rohingyas fugiram para o vizinho Bangladesh desde finais de agosto para tentar escapar a uma campanha de repressão do exército birmanês após ataques da rebelião jovem rohingya, segundo dados da ONU.

Os militares, muito criticados por seu bloqueio à imprensa durante a campanha em torno da cidade de Maungdaw, oeste de Mianmar, organizaram uma visita de poucas horas para os meios de comunicação na cidade hindu de Ye Baw Kyaw, na zona de Kha Maung Seik. Até agora foram encontrados 52 corpos, segundo o governo birmanês. O Exército assegura que são habitantes hindus abatidos pelos rebeldes rohingyas no fim de agosto.

A ONU tem um plano de emergência preparado para a eventualidade de que todos os rohingyas de Mianmar busquem refúgio em Bangladesh para fugir da violência, anunciou nesta quarta-feira uma fonte das Nações Unidas.

Referindo testemunhos que dão conta de um "excessivo recurso à violência e de graves violações dos direitos humanos", de "disparos à queima-roupa" e utilização de minas, bem como de "violência sexual", o responsável máximo da ONU sublinhou que tal "é inaceitável" e deve "parar imediatamente".

O Conselho de Segurança exortou "o governo birmanês a facilitar a ajuda humanitária no estado de Rakhine", uma demanda que não foi atendida até agora.

Agora, há grandes campos de refugiados em Bangladesh para abrigar as pessoas que fugiram.

Há uma semana, quando seu país foi acusado de limpeza étnica, e inclusive de genocídio, durante a Assembleia Geral, tal como fez o presidente francês, Emmanuel Macron, a dirigente birmanesa e vencedora do Prêmio Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi, quebrou o silêncio e disse que estava pronta para organizar o retorno dos rohingyas.

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