PGR suspende acordo de delação premiada para Joesley Batista e Ricardo Saud

- O empresário Joesley Batista foi transferido nesta sexta-feira pela Polícia Federal da Superintendência da PF em Brasília para São Paulo, onde será ouvido em audiência de custódia relativa a mandado de prisão preventiva no âmbito da investigação sobre uso de informação privilegiada no mercado financeiro, informou a PF. O cancelamento ainda tem de ser chancelado pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF.

A aeronave que levou o empresário para São Paulo decolou por volta das 9h do aeroporto de Brasília e pousou na capital paulista perto das 11h.

Em fevereiro, o ex-procurador pediu sua exoneração e deixou o Ministério Público oficialmente em 5 de abril, mas, segundo a PGR, há indícios de que ele auxiliava a JBS enquanto ainda era funcionário público. Os dois são acusados de obstrução de Justiça e Temer também responderá por organização criminosa.

Segundo o delator, Temer dividiu com o ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) - ex-homem forte de seu governo, atualmente preso - propina da Odebrecht na campanha de 2014. Isso não seria possível se a imunidade negociada em maio continuasse valendo.

O acordo de delação tem uma cláusula que estipula que, se os colaboradores omitirem informações, eles perdem os benefícios. A Corte iniciou ontem julgamento que pode retardar esse envio, no qual a defesa de Temer pede a "sustação" do processamento da denúncia até que a PGR conclua a análise sobre o acordo da J&F. A gravação foi entregue, por descuido dos advogados, como uma nova etapa do acordo.

Além da rescisão dos acordos, Janot também havia pedido que as prisões temporárias de Joesley e Saud fossem convertidas em preventivas, o que foi aceito por Fachin, tornando o tempo de detenção indeterminado.

Ao sair do depoimento que deu à Polícia Federal na tarde desta sexta em São Paulo, Joesley Batista, um dos donos do grupo J&F, criticou o procurador Rodrigo Janot.

A investigação aponta que o grupo lucrou US$ 100 milhões com a alta do dólar após 17 de maio. No acordo de leniência com a Procuradoria no Distrito Federal, a multa acordada foi de R$ 10,3 bilhões.

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