Defesa de Temer reafirma pedido de suspensão de eventual denúncia

"Por ora, a estratégia é aguardar o julgamento, pelo Supremo Tribunal Federal, da questão de ordem que levantamos". Para ele, as provas só serão examinadas após Janot apresentar eventual segunda denúncia e, se a Câmara dos Deputados aprovar a admissibilidade dela.

A discussão poderia ser retomada pelo plenário do STF nesta quinta-feira, 14, mas a presidente Cármen Lúcia decidiu pautar o julgamento de ações envolvendo o Código Florestal. As gravações levantam suspeitas de que os dois delatores manipularam provas da delação. Os advogados afirmam que a colaboração de executivos da empresa foi direcionada por integrantes da PGR.

Segundo o procurador-geral, no que diz respeito ao crime de organização criminosa, Temer "dava a necessária estabilidade e segurança ao aparato criminoso, figurando ao mesmo tempo como cúpula e alicerce da organização".

É só com a autorização da Câmara que o STF pode analisar se torna Temer réu. Para isso, são necessários os votos de ao menos 342 deputados.

A segunda acusação formal foi apresentada após o Supremo rejeitar o afastamento do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, das investigações contra Temer no caso J&F.

Há indícios de organização criminosa porque os peemedebistas investigados tinham poder sobre os demais membros do grupo e a capacidade de repartir o dinheiro obtido por meio de práticas ilícitas como corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, fraude em licitação e evasão de divisas. Janot também denunciou os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral) por organização criminosa, mas o Planalto já avisou que não vai afastá-los porque a acusação da PGR tem como base "delações fraudadas". O documento indica também que Temer recebeu R$ 31,5 milhões de vantagens por participar do grupo. No entendimento de Janot, o presidente concordou quando Joesley disse que estava pagando a Cunha e Funaro para que eles não contassem o que sabem sobre esquemas ilícitos. Além disso, a denúncia utiliza os elementos colhidos pela Polícia Federal em investigação sobre o chamado "quadrilhão do PMDB da Câmara".

Ainda de acordo com o relatório, "de forma consistente, foi apontado como uma das figuras centrais beneficiadas em pagamentos pelo grupo JBS, inclusive com possível recebimento de R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais), por intermédio do ex-deputado Federal e ex-assessor Rodrigo da Rocha Loures, acompanhado em ação controlada executada pela Polícia Federal, um dos pontos de destaque da 'operação Patmos".

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