Coreia do Norte estende ameaça a Tóquio e Seul após novas sanções

O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, pediu hoje "uma resposta mundial" contra a Coreia do Norte na sequência do novo disparo de um míssil balístico que qualificou de "imprudente violação das resoluções da ONU".

A Coreia do Norte acusou o órgão da ONU de se ter convertido numa "ferramenta do mal" que serve os Estados Unidos, defendendo que em vez de garantir a paz e a segurança "destrói-a sem piedade".

"As quatro ilhas do arquipélago devem ser afundadas no mar pela bomba nuclear do Juche", indica a organização, em referência à ideologia governista da Coreia do Norte que mistura marxismo com uma forma de nacionalismo isolado pregado pelo fundador do Estado, Kim Il Sung, avô do atual líder norte-coreano, Kim Jong Un.

A chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, chamou o disparo de "provocação escandalosa".

O comunicado informa que o tema será analisado por Guterres durante as reuniões que ocorrerão nas Nações Unidas na próxima semana, por ocasião do debate anual de alto nível da Assembleia Geral.

O comitê norte-coreano também atacou o governo sul-coreano, acusando-o de "traidores" e "cachorros dos Estados Unidos" ao pedir sanções mais duras para seus "compatriotas". A ilha fica a 3.400 km da Coreia do Norte.

"Isto demonstra claramente que a Coreia do Norte dispõe de alcance suficiente - embora talvez não tenha a precisão - para aplicar o projeto Guam", completou.

O míssil não representou ameaça para os EUA nem para a ilha de Guam, um território americano no Pacífico, disse o comandante.

Segundo a NHK, canal estatal japonês, o míssil foi lançado às 6h57 (22h57 em Lisboa) e passou a norte da ilha de Hokkaido, tendo caído no oceano Pacífico, a cerca de dois mil quilómetros a este do Japão.

"O Japão não vai tolerar estas provocações e protestamos fortemente contra a Coreia do Norte", advertiu o porta-voz do governo japonês, Yoshihide Suga, salientando a vontade de "responder de forma adequada, juntamente com os Estados Unidos, a Coreia do Sul e outros países interessados" a este ato de Pyongyang.

Tóquio ativou o sistema de emergência J-Alert em vários pontos da região norte do país. "Não recolham nenhum objeto que possam encontrar", afirmava o alerta. Esta é a segunda vez em menos de um mês que um míssil norte-coreano sobrevoa o Japão.

A China se opõe ao desenvolvimento de armas nucleares da Coreia do Norte, mas teme que uma maior pressão econômica leve o vizinho ao colapso.

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