Temer diz que 'não participou nem participa de nenhuma quadrilha'

Na denúncia, Janot acusa o presidente Michel Temer (PMDB) de ter atuado como líder da organização criminosa de seu partido desde maio de 2016 e acusa os integrantes do chamado "quadrilhão do PMDB da Câmara", entre eles, o ministro Moreira Franco. Segundo o PGR, o esquema desenvolvido permitiu que os denunciados recebessem pelo menos R$ 587 milhões de propina. "Os prejuízos decorrentes da corrupção são difusos (lesões à ordem econômica, à administração da Justiça e à administração pública, inclusive à respeitabilidade do parlamento perante a sociedade brasileira), sendo dificilmente quantificados", escreve Janot.

Em nota, Cezar Bitencourt, que defende Rocha Loures, afirmou: "Rodrigo Rocha Loures não participou de nenhum acordo de pagamento ou recebimento de propinas atribuído ao PMDB da Câmara.Rodrigo era apenas um assessor pessoal do Presidente e não tinha nenhuma intervenção em atividades financeiras, ao contrário da recente denúncia contra o PMDB da Câmara".

Na denúncia, o PGR diz que o grupo criou uma organização criminosa que actuava na Câmara dos Deputados e no próprio governo com o intuito de desviar avultados recursos públicos. A acusação contra os dois empresários foi possível por causa da rescisão do acordo de delação premiada feita por eles, já que dois omitiram informações em seus primeiros depoimentos ao Ministério Público Federal.

Após a divulgação dos áudios, Janot anunciou uma nova investigação a respeito das atividades de Joesley Batista, e de Ricardo Saud e Francisco de Assis e Silva, executivos da empresa.

"Uma segunda denúncia deve ser acatada pela Casa [Câmara dos Deputados] com as desconfianças maiores do que a primeira, tendo em vista a conjuntura, o véu que caiu e se transportou aí todo um preceito de irregularidades que foram identificadas agora no final do mandato do senhor Rodrigo Janot", defendeu Jucá.

De acordo com Mariz, a denúncia deve ficar suspensa até o fim das investigações sobre a revisão da delação premiada do empresário Joesley Batista e sobre a validade das gravações que foram entregues a Procuradoria-Geral da República (PGR). Após a notificação, o ministro enviará a acusação para à Câmara dos Deputados, que julgará se a denúncia será ou não aceita.

Agora, a Suprema Corte envia a acusação para a Câmara dos Deputados que deverá decidir se autoriza ou não o Judiciário a instaurar o processo. O relator da Lava Jato no Supremo, ministro Edson Fachin, discordou e, por isso, levou a decisão para o plenário.

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