PMDB lamenta 'irresponsabilidade' de Janot após denúncia contra cúpula da sigla

A defesa do presidente Michel Temer emitiu uma nota na noite desta quinta-feira (14) em que ataca o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, sobre a apresentação da nova denúncia contra o mandatário no Supremo Tribunal Federal (STF). Só tinham se pronunciado o relator da solicitação na Corte, ministro Edson Fachin; o vice-procurador-Geral da República, Nicolao Dino; e o advogado Cézar Bitencourt, que faz a defesa do ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), também atingido pela delação da J&F. "Os prejuízos decorrentes da corrupção são difusos (lesões à ordem econômica, à administração da Justiça e à administração pública, inclusive à respeitabilidade do parlamento perante a sociedade brasileira), sendo dificilmente quantificados", escreve Janot.

"O Presidente tem certeza de que, no final de todo esse processo, prevalecerá a verdade e, não mais, versões, fantasias e ilações". Ainda segundo a Procuradoria, há indícios de que Miller tenha cometido o crime de exploração de prestígio, além da possibilidade de ter sido cooptado pela organização criminosa composta pelos executivos da JBS, "passando, em princípio, a integrá-la".

A segunda acusação de Janot será encaminhada à Câmara num momento em que o acordo de colaboração da JBS foi colocado em xeque.

Após a divulgação dos áudios, Janot anunciou uma nova investigação a respeito das atividades de Joesley Batista, e de Ricardo Saud e Francisco de Assis e Silva, executivos da empresa.

Em linhas gerais, a corte deverá julgar se uma eventual nova denúncia de Janot contra o presidente fica suspensa até a conclusão do julgamento de suspeição do procurador-geral. O inquérito investigou o chamado "PMDB da Câmara", grupo de deputados e ex-deputados do partido.

A acusação de obstrução a Justiça leva em consideração, segundo a PGR, dá tentativa dos acusados de tentar evitar que o doleiro Lúcio Funaro firmasse acordo de delação premiada.

Continuando no ataque, a Presidência afirma que a segunda denúncia contra Temer é "recheada de absurdos" e que fala sobre "pagamentos em contas no exterior ao presidente sem demonstrar a existência da conta do presidente em outro país".

De acordo com a denúncia, os integrantes do "PMDB da Câmara", teriam recebido propina em troca da prática de atos ilícitos.

Se o prosseguimento da denúncia for autorizado pela Câmara e ela for aceita pelo Supremo, Temer deverá ser afastado do cargo por 180 dias.

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