Ex-procurador Marcello Miller diz que nunca fez 'jogo duplo'

Fernanda Tórtima, advogada da JBS, informa ao grupo que o gabinete de Rodrigo Janot havia convocado Joesley para prestar depoimento dois dias depois.

Em mensagem, de 31 de março, Flesch pede a Miller que veja as modificações que ela fez no contrato entre o escritório de advocacia e a JBS. O escritório encaminhou a seguinte nota: "Trench Rossi Watanabe confirma que está auxiliando as autoridades competentes e continua à disposição das mesmas, a exemplo de como tem se portado ao longo de seus mais de 50 anos de trajetória no mercado brasileiro de serviços jurídicos, sempre pautados pela ética e transparência".

Uma das mensagens mais reveladoras foi enviada em 5 de abril, último dia de vínculo formal de Miller com o Ministério Público Federal. "Marcello, gostaria de falar com vc, especialmente para te explicar algumas adições que fiz". Ele foi chamado para depor depois que Procuradoria-Geral da República decidiu revisar o acordo de delação premiada dos executivos do grupo.

A resposta do então procurador foi dada justamente no e-mail que trata da passagem.

A advogada repassou o e-mail a Miller com o texto: "Para seu conhecimento".

Em um dos e-mails, de 5 de março, a advogada Esther Flesch, então membro da banca Trench Rossi Watanabe, reencaminhou a Miller uma mensagem que recebeu de Francisco de Assis e Silva, diretor jurídico da JBS.

Já em e-mail de 14 de fevereiro intitulado "sobre o caso que discutimos ontem", Miller esclarece a Flesch detalhes técnicos sobre improbidade administrativa -como no tópico "1) improbidade administrativa da empresa no âmbito do financiamento do BNDES". A suspeita da PGR é que informações importantes tenham sido omitidas nos depoimentos da delação premiada. O ex-procurador Miller participava de um grupo de WhatsApp com os Batista e diretores da JBS.

Não tinha contato algum com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, nem atuação na Operação Lava Jato desde, pelo menos, outubro de 2016. Em nota, o escritório diz que "está entregando todos os documentos solicitados pela Procuradoria-Geral da República, e os profissionais mencionados nas investigações não fazem mais parte de seu quadro de advogados". Somente os delatores da JBS tiveram prisão temporária decretada.

Miller destaca que, como a prática da empresa era nacional, seria possível deslocar a competência para o Ministério Público Federal. "[Saud] mostrou os anexos a Marcello Miller e ele disse ok", relatou Saud.

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