Temer se beneficiou de propina de Angra 3 — Delação de Funaro

Em seu acordo de delação premiada, o corretor Lúcio Funaro disse que presenciou em 2012 um telefonema no qual o então vice-presidente Michel Temer autorizou pagamentos eleitorais (caixa 2) como um "pedágio" por liberação de recursos da Caixa Econômica Federal. Essa quantia foi para Geddel, relatou.

As declarações de Funaro coadunam com a versão apresentada pelo ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht Cláudio Mello Filho em sua delação.

Temer e seu partido romperam com Dilma meses antes de o afastamento dela ser aprovado e confirmado, mas o agora presidente sempre rejeitou a pecha de "conspirador" ou "golpista". À Procuradoria-Geral da República (PGR), Yunes já disse ter sido usado como "mula" de Padilha para a entrega de um pacote.

Funaro relatou que em dois encontros com Temer - na base aérea de São Paulo e em Uberaba - estava acompanhado do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que está preso em Curitiba. Funaro narra um jantar em sua casa, entre ele, Joesley e Fabio Cleto, em que o dono da JBS "expôs ao colaborador (Funaro) que tinha um pleito junto ao FI-FGTS, de um bilhão e oitocentos milhões de reais (R$1,8 bi)". Segundo Funaro, o dinheiro seria parte de um acordo de caixa 2 firmado com a Odebrecht e pertenceria ao peemedebista. Foi Geddel, segundo Funaro, quem lhe passou o telefone de Yunes. As informações são do jornal "Folha de São Paulo". No local, após uma conversa com Yunes, na qual teriam trocado cartões, uma caixa com a quantia acertada teria sido repassada pela secretária e o motorista do amigo de Temer. "O dinheiro foi entregue em Salvador por um funcionário de logística de transporte de valores do doleiro Tony, o qual retirou os valores em São Paulo e, no dia seguinte, fez a entrega na sede do PMDB da Bahia", registra o anexo.

Geddel era um dos homens mais fortes do governo Temer. Na semana passada ele foi preso depois que a PF descobriu que Geddel guardava mais de R$ 51 mi em espécie num apartamento também na capital baiana.

O Palácio do Planalto ainda não se manifestou. José Yunes ainda não foi localizado pela reportagem.

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