Privatizações e concessões são fundamentais para retomada econômica, diz Banco Central

"De forma geral, os membros do Comitê concordaram que, tudo o mais constante, há benefícios em se promover encerramento gradual de ciclos monetários", afirma o documento.

O BC voltou a falar em "encerramento gradual" do atual ciclo de cortes na taxa básica e em redução moderada, ou seja, abaixo de 1 ponto percentual, na próxima reunião. "Avaliando as circunstâncias atuais, o Copom julgou conveniente sinalizar que, caso o cenário básico evolua conforme esperado no momento, o Comitê antevê encerramento gradual do atual ciclo de flexibilização monetária", cita o documento. Por outro lado, acrescenta o Copom, uma frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e dos ajustes necessários na economia brasileira pode elevar a trajetória.

As reformas, de acordo com o BC, já têm impacto sobre a chamada taxa de juros estrutural, que é calculada levando em conta também em fatores como produtividade e o ambiente de negócios.

Em uma ideia que tem se repetido nas comunicações mais recentes do BC, os membros do Copom destacaram a maior capacidade que a economia brasileira tem hoje para absorver eventual revés no cenário internacional, "devido à situação robusta de seu balanço de pagamentos e ao ambiente com inflação baixa, expectativas ancoradas e perspectiva de recuperação econômica". "As estimativas dessa taxa serão continuamente reavaliadas pelo Comitê", afirma a ata. "Esses esforços são fundamentais para a retomada da atividade econômica e da trajetória de desenvolvimento da economia brasileira", diz o documento.

"Todos concordaram com o diagnóstico de que o processo de estabilização da economia se consolidou".

O comitê lembra que a projeção do mercado para a inflação está em 3,4% este ano e em 4,2%, em 2018. A Selic considerada é de 7,25% no fim de 2017, de 7% durante boa parte de 2018 e de 7,5% no fim do ano que vem.

Para os preços administrados, o BC trabalha com uma alta de 7,5% neste calendário e de 5,2% no próximo ano.

A avaliação consta da ata divulgada nesta terça-feira, 12, pela autoridade monetária.

Dada a sua já conhecida preferência por apresentar condicionalidades sobre a evolução da política monetária, o Copom voltou a ressaltar que o processo de flexibilização continuará dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos, de possíveis reavaliações da estimativa da extensão do ciclo e das projeções e expectativas de inflação.

Alimentos - Sobre a dinâmica dos preços dos alimentos, os participantes do colegiado analisaram que, nos 12 meses findos em agosto de 2017, o custo da alimentação no domicílio medido pelo IPCA acumula queda de 5,2%, em contraste com aumento de 9,4% em 2016, o que representaria uma contribuição de mais de 2 pontos percentuais para a desinflação ocorrida até agosto de 2017.

Nesse trecho do documento, o BC nota que a inflação mais baixa tem "permitido uma recomposição do poder de compra da população e contribuído para a retomada da economia". O grupo também ponderou que havia expectativa de recuo da inflação de alimentos em 2017, quando comparada com a do ano anterior.

Após a surpresa com a forte queda do preço dos alimentos, o Banco Central acredita que haverá "alguma normalização" em 2018. Para o Copom, portanto, há risco de uma espécie de inércia desinflacionária na inflação à frente. "Uma normalização mais lenta constitui risco baixista para essas projeções", cita o documento.

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