Irmãos Batista, sócios da J&F, são presos acusados de insider trading

O empresário Joesley Batista, do grupo J&F, e o executivo da empresa Ricardo Saud deixaram nesta segunda-feira (11) a sede da Polícia Federal (PF) em São Paulo rumo ao Aeroporto de Congonhas, onde seguirão para Brasília.

Segundo a publicação, ambos chegaram à PF em carros particulares. Eles devem ser transferidos para Brasília.

Na última segunda-feira, Janot anunciou a abertura de investigação para apurar possíveis irregularidades nas negociações da colaboração firmada com o Ministério Público.

As apurações miram o suposto uso de informações privilegiadas em transações entre abril e 17 de maio de 2017, data em que foram reveladas as primeiras informações da colaboração da empresa com a PGR (Procuradoria-Geral da República).

Para a equipe de Janot, houve patente descumprimento de dois pontos de uma cláusula do acordo de delação que tratam de omissão de má-fé, o que justificaria rever os benefícios.

O advogado dos irmãos Batista, Pierpaolo Cruz Bottini, afirmou ser "injusta, absurda e lamentável a prisão preventiva de alguém que sempre esteve à disposição da Justiça, prestou depoimentos e apresentou todos os documentos requeridos" pelas autoridades. A decisão final caberá ao ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin. "Nesse caso, Joesley Batista e Ricardo Saud ainda não foram ouvidos", diz o texto. "No dia 31 de agosto, cumprindo o prazo do acordo, além dos áudios, foi entregue uma série de anexos complementares, e os dois colaboradores ainda estão à espera de serem chamados para serem ouvidos".

Procurada pela Reuters, a JBS não estava disponível de imediato para comentar.

Sobre um dos encontros com Miller em março, Joesley afirmou, segundo termo de depoimento assinado por ele próprio, "que conversou com Marcello Miller sobre colaboração premiada, como se faz, o procedimento, se funciona ou não; que Marcello Miller dava orientações abstratas sobre colaboração e crimes, tendo servido para entender o processo de colaboração premiada; que isso serviu para o depoente acreditar que a colaboração era o caminho correto, o melhor e talvez o único".

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